segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Papai Noel chegou pra "fudê" com o meu natal!

Olá caros leitores, pessoas e entidades anônimas que movem os contadores deste blog lendo minhas reflexões ou só dando uma olhadinha sem compromisso... quanto tempo hein!?!? Sejam bem vindos de volta! Sejam bem vindos pela primeira vez novos amigos e/ou novos curiosos!

A ultima vez que estive por estas paragens foi no dia 19 de maio... faz muito tempo! De lá pra cá tive várias idéias de uma nova postagem pra retornar após o dia 13 de agosto (até esse dia estive respirando o aniversário de 3 anos de minha banda, Guardas da Fronteira, com a presença ilustre de Carlos Maltz aqui em Fortaleza, além de ter a honra de tocar com ele! ... enfim, muito sangue, suor e lágrimas para o evento dar certo.. e deu), mas acabei não escrevendo nada. Quando a idéia passa mais de uma hora na cabeça sem que eu a escreva a validade acaba, que dirá dias, semanas. De lá pra cá também já pensei em falar sobre várias coisas desde o câncer de Reinaldo Geanechinni (quem liga se o nome se estiver escrito errado)e o sensacionalismo babacionismo que se cria em torno de eventos assim (com todo respeito a pessoa dele e ao momento em que ele passa)até ao próprio silêncio deste blog e as várias coisas que podiam ter sido escritas aqui que não foram, além de como eu vi a repercussão destas coisas sem a minha singela e, quem sabe, despercebida opinião com uma postagem que até nome já ganhou: Silêncio, vamos ouvir os passos do mundo! (parafraseando uma musica do Maltz, que a propósito eu o convidei pra dar uma lida nesta postagem no dia que eu a iria escrever, se ele pintou por aqui pra ler, pô que fique registrado meu pedido de desculpas, pois faz tempo e até agora como podem ver eu não escrevi!)

Muito que bem! Feitas algumas justificativas, vamos pensar um pouco sobre a bola da vez, uma coisa chamada carinhosamente de Papai Noel!

Talvez depois de tanto tempo sem escrever eu possa estar iniciando um novo ciclo, já que esta postagem retoma alguns pontos das origens do blog: 1- a proximidade do natal; 2- uma das primeiras postagens aqui foi por conta de um "mar de carros" que me chamou atenção no estacionamento do iguatemi; 3- inspiração pra escrever surgindo de coisas corriqueiras e até inesperadas... as singularidades do dia a dia daquele que "todo dia faz tudo sempre igual".

Vamos aos fatos: dia 06 de novembro, quem curte EngHaw sabiae que este era dia de twitcam do Humberto, lá estou eu voltando pra casa cedo pra assistir até que... chegando próximo ao Iguatemi vejo a fila de carros, putz! Lembrei que era dia da chegada do Papai Noel (que a cada ano chegam mais cedo nos shoppings de Fortaleza); dei a maior volta pra tentar pegar uma rota alternativa que não me atrasasse tanto até chegar em casa, mas foi inevitável. ¬¬

Quando me aproximo do Iguatemi por outro caminho vejo que até este estava intrafegável: além do congestionamento enorme, quando começam os fogos o trânsito PARA totalmente! Ok, descontando o tempo que perdi procurando esta outra rota e cronometrando o tempo em que fiquei parado, contabilizo 20 infindáveis minutos! 20 minutos em que as ruas nos arredores do Iguatemi pararam pra ver o Papai Noel!

5 primeiros minutos: buzinaços, reclamações, filho dessa e filho daquela praqui e pracolá!

6º minuto: começam os fogos, eis que todos saem dos carros e adimiram o espetáculo (pão e circo) sem reclamar, até ligam o som do carro pra curtir melhor e fotografam o evento. Afinal, se é pra ficar no trânsito parado mesmo por mais 15 minutos porque não apreciar o espetáculo?!

Olhem só a situação... fotografei minha visão de dentro do carro e a fila de carros infinita que se podia ver do retrovisor:




Bom, daí podemos pensar em algumas possibilidades:

1 - alguém passando mal pra morrer esperando papai noel passar... ¬¬
2 - alguém em trabalho de parto parindo no carro esperando papai noel passar... ¬¬
3 - alguém que sai cedo da casa da noiva pra poder chegar cedo em casa e assistir com calma a twitcam do Humberto Gessinger... (nem tão ¬¬ assim, tendo em vista a gravidade das possibilidades acima)
4 - garotos "espertos" se ligam na oportunidade única e aproveitam o trânsito pra sair roubando todo mundo que não tem pra onde ir esperando papai noel passar ... ¬¬

outras possibilidades:

5 - passeata dos professores em marcha pelos 10% do PIB para a educação na av. 13 de maio, noticia passando no CE TV e um senhor reclamando muito puto de 8 minutos perdidos (no máximo) enquanto a marcha passava pelo cruzamento em que ele estava e que isso era um absurdo e etc etc etc...

Pô, vou lembrar de por efeitos pirotécnicos na próxima marcha, providenciar um pão e circo pra quem tiver esperando a marcha passar!

Ok, sou muito suspeito pra falar dos professores em mobilização visto que participei ativamente da greve dos professores estaduais.... mas mesmo assim, FODA-SE se achar ruim... a alienação e a falta de informação atingem a todos a todo instante, e por isso professores como eu estão agora com a angustia a flor da pele por conta de um movimento que parece apontar para morrer na praia por conta da incompreensão da complexidade de problemas sociais como greves (seja de professores ou de qualquer outra categoria) por grande parcela da população .

Ok, passada a sessão desabafo, voltemos ao glorioso papai noel... É incrivel como durante todo o tempo da queima de fogos todos os motoristas pararam de buzinar e assim que acaba, a lembrança de tudo o que se tinha pra fazer e do tempo perdido voltam em forma de um grande buzinaço coletivo em kms e kms de carros parados que ao olhar para o retrovisor eu já não via mais o fim da fila.

Ok, todos nós precisamos de um pouco de fantasia, religião ou qualquer outra coisa que nos faça esquecer por um instante nossos problemas. Mas quando essa fuga se torna um problema, e fugir é um problema, ai a chapa esquenta! Aliviar a dor pra seguir adiante é uma coisa, fugir da dor, se entorpecer, cegar pra não ver o que não quer, sucumbir ao consumismo natalino, sentar no colo do papai noel, entupir avenidas de carros pra ver o "bom velhinho" chegar, gerar lucros para os donos de lojas, aqueles que detem os nossos objetos de satisfação e prazer, objetos fetichizados com valores muito além do necessidade.. isso é errado? De certa forma não há mal nenhum em querer, em satisfazer, em prazer... mas há algo errado... a forma como tudo isso acontece, a fuga que reside em momentos como esse, final do ano pra zerar tudo e recomeçar, dia dos pais ou das mães pra dar um presente, um abraço e um agrado em compensação a um ano todo de relação desgasta... coisas que acontecem... possibilidades.

Posso parecer cético nessa postagem, e pode até parecer que estou cometendo o sacrilégio de macular o sacrossanto significado real/religioso/comercial do natal, mas.. coisas precisam ser ditas as vezes...

Até curto o clima de final de ano, dá uma tristeza/melancolia/esperança/renovação/medo/alegria/etc etc etc... muitos sentimentos se confundindo de uma só vez, afinal são poucos dias para condensar toda a responsabilidade de pesar o que você fez em um ano e projetar o que quer para o próximo. Talvez até esse obejetivo de se repensar a vida no natal/ano novo já seja um ponto fetichizado... "no final do ano eu penso e repenso tudo" ou "esperar chegar a hora certa pra se medir perdas e danos" ou tantos outros pensamentos dessa natureza que se possa ter...

Pra encerrar: pensei em por algo menos ofensivo no título da postagem mas (já que as tradições são assim) fazendo o balanço do ano e do pensamento do dia formado nestes 20 minutos de congestionamento e pirotecnia... só posso crer que realmente papai noel não está muito generoso esse ano para muita gente, assim como esteve para tantas outras em tantos outros anos passados enquanto faz com que tantas outras vislumbrem sua fantasia natalina pensando seriamente sobre a vida durante um instante só dentro de um ano inteiro em que estão inebriadas de certa forma pela fantasia do momento. Nem por isso parem de refletir no final do ano, mais vale isso que nada. O tempo e a forma como ele se dá e é visto é uma coisa puramente humana. O ser 1-mano deve realmente  precisar de certos ciclos... apesar de criticar algumas coisas pertinentes a forma como a coisa se dá, é importante sim refletir ao final de um ciclo.

Pra não começarem a me chamar de contraditório (além de cético) vou parando por aqui!

Mais uma vez sejam bem vindos. Esta recepção após tanto tempo sumido foi um tanto ácida mas espero que estejam a vontade e voltem em outras oportunidades, prometo tentar voltar também com mais frequência...

abraço a todos!

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Um novo dia fica para trás...

Hoje, dirigindo por um percusso que não é de costume no meu dia nem no horário que o fiz, reparei no retrovisor do carro um cenário único para aquele dia, um crepúsculo que facilmente poderia ser confundido com um amanhecer, uma dessas cenas de "raiar de sol" que anuncia um dia maravilhoso cheio de coisas boas em um filme leve e gostoso de comédis romântica ou de lições de vida que vemos nos cinemas. Diante de mim havia um céu azul-cor-de-chumbo querendo ficar nublado e carros já com faróis de neblina acesos. Ficando para trás ficava esse que era o final de um dia que parecia um novo dia disputando seu espaço no céu. Como de praxe, pensei em tirar uma foto, peguei o celular e lembrei do blog, tirei a foto e ficou perfeita! Ótimo, quando chegar em casa escrevo.

Chegando em casa os caminhos entre o botão de ligar o notebook e o blogger para fazer uma nova postagem passavam pelas notícias de greve dos professores do município aqui em Fortaleza, pelo email pra ver se tinha algo importante ou urgente, recados no facebook e orkut, passar pra ver as estatísticas do http://guardasdafronteira3anos.blogspot.com/ (ACESSEM =D) e até noticias na UOL de que Antônio Banderas irá fazer uma paella no mais você... Enfim, um desses caminhos também foi abrir meu msn e sem querer abrir um grupo de contatos denomidado "alunos". Vi então um aluno muito bom que tive em 2008 no projeto Promédio da prefeitura de Fortaleza. Notei as feições agora de um rapaz, vi que aquele menino pré-adolescente tinha crescido. Lembrei logo de outro com quem conversei há uns meses que já tinha no msn uma foto junto a namorada, ja tava bastante crescido também. Imagino que vozes grossas já tenham substituído o timbre juvenil desses garotos. É! Crianças crescem né?! Tudo isso me veio a mente: a imagem, as lembranças de ex-alunos e o título desse post que pensei ainda no carro quando tirei a foto. Como pode um "novo dia" ficando para trás??? Acho que é um pouco esse lance de separação, de plantar e deixar a semente germinar e seguir seus caminhos, você poda até onde dá mas depois, quando árvores, ninguém controla mais.. o lance é esperar os frutos.

Esses momentos de separação só me fizeram confirmar o nome que eu queria dar a esse post e a motivação para escrevê-lo, já que há um bom tempo não escrevo nada por aqui querendo achar a coisa certa pra escrever. Novos dias, novas vidas ficam para trás por você não ter mais como acompanhar. Mas assim como o sol que deixa o dia por aqui logo vai estar aparecendo no Japão com um novo, mesmo ficando para trás pra quem olha do retrovisor de um carro, as separações são os novos dias para quem um dia você deu o máximo de você possa ter vários e vários novos dias e horizontes.

E são a meus/minhas ex-alunos/alunas que dedico esse post, como uma forma de mostrar que nenhum perdeu seu lugar em minha memória (mesmo que as vezes não consiga lembrar um nome) e principalmente em meu coração.

Desejo "um novo dia para vocês" !!!
Grande Abraço



segunda-feira, 18 de abril de 2011

Pensar... faz falta!

Estou lendo a passos lentos para que possa digerir bem o livro "Abilolado Mundo Novo" do eterno EngHaw Carlos Maltz e a cada momento de leitura encerrado eu me vejo em um estado de "não sei o quê"! Maltz fala de tantas coisas que estão tão presentes no nosso dia a dia e, ao mesmo tempo, tão distantes pela falta de minutos que sejam de reflexão, de pensar sobre sua própria vida as vezes... Quem lê percebe claramente o que o cara quer falar, o fim de UM mundo, assim como outros que já existiram, e principalmente as vicissitudes (sempre quis usar essa palavra =P), os pequenos detalhes dos pequenos seres que movem a coisa toda... pequenas fissuras que comprometem aquela grande estrutura que parecia inabalável (o Titanic pesado e frágil) e que, como a parede daquele reservatório de esgoto do RJ (se não me engano era de lá) desabam do nada, sem nenhum motivo aparente. Aparente? O que seria aparente? O que permitimos que seja aparente para nós? RESPOSTA: pouco, muito pouco? E para os outros, menos ainda?

Há tantos "nós" dentro de cada um de "nós" que cansaria qualquer nossa Senhora desatadora, tantos complexos, tantos pensamentos e sentimentos escondidos ou desconhecidos. Chega a ser agonizante (e isso não é algo ruim) chegar ao final de uma abilolada leitura... tanta coisa fluindo ao mesmo tempo na tua cabeça, tantos "putz, o cara tem razão", tantos "hmmmm", tantos "é meeeesmo" que cinco minutos após na hora que o mané aqui vai tentar escrever algo depois de milhares de pensamentos e coisas legais, palavras legais, trocadilhos legais terem ocorrido para o blog, cadê? "Num piscar de olhos tudo se transforma. Ta vendo? Já passou!"

Mas vamos focar um pouco mais o assunto aqui, senão a galera que ler vai achar o livro uma droga, hehe. Algumas das coisas que mais me chamam a atenção são, as reflexões sobre o uso da tecnologia e o uso dos ofícios, sem paixão. E porque isso, justamente? Porque une um pouco alguns fenômenos do atual mundo internetês brasileiro e uma dúvida que me consome cada vez que penso no blog. Quem move os contadores? Tantas pessoas assim mesmo, 800 e tantas, já passaram por aqui? Quem são aqueles que passam silenciosamente? Quem passa, lê e vai embora? Quem passa, olha e vai embora? Quem passa, lê, comenta e volta? Continuem fazendo como queiram, mas para mim é um grande mistério saber que olhos leem algumas palavras de um cara que alguns podem não saber nem de onde é.

Serão estas as mesmas pessoas que estão provocando um exodo virtual? Tanta gente dizendo por ai no orkut: Cansei de mensagens de propaganda, spams, etc... fui para o facebook. Talvez estas sejam as mesmas pessoas que mandam várias solicitações de jogos, aplicativos, respondem a perguntas do tipo "vc acha que fulano já saiu com um travesti" sendo que você nem conhece o tal fulano, mas a pessoa responde... Ok, ok, venhamos e convenhamos, vamos cruzar o mar vermelho do orkut em direção ao Twitter e não ao facebook. Serão as mesmas pessoas que dão varios RT e seguem várias pessoas pra ganhar coisas? Não nego que participo dessas coisas do twitter, as que me convém participar ou promover. Mas POXA, tadinho do Orkut, levando a culpa toda pela falta de discernimento de certos usuários...

Talvez sejam estas, as mesmas pessoas que leiam e sigam blogs de pessoas famosas que até ganham para mantê-los somente por ser aquela pessoa famosa. Será que há a mesma paixão naquela pessoa do que na do zé aqui? Talvez até sim, pois a grana que rola possa possibilitar um tempo para a pessoa cultivar alguma paixão (quem sabe). Pode parecer um pouco de inveja ou despeito escrever desse jeito, mas reafirmo: é apenas uma curiosidade mórbida para saber quem move os contadores daqui. São muitas as máscaras que vivem trocando de lugar com os rostos por ai... são várias variáveis a se considerar dentre vários pontos de vista.

Talvez sejam as mesmas pessoas que já estejam achando chato este tópico tão grande. Talvez porque não estou sendo claro já que estou compartilhando pensamentos crus, direto da caixola pra internet, pós efervecência de idéias, dai o nome do post... pensar as vezes faz falta.

Outra coisa que me motivou a escrever estas abiloladas linhas virtuais foi o fato de dar uma espiada, antes de passar por aqui, em um site de notícias do msn que perguntava onde estavam os atores da novela VAMP (é o nooovo). Me surpreendi com alguns atores tão jovens na época, já com alguns traços de expressão forte e outros com  20 anos "fotoxopados" ou "botoxizados" a menos. Máscaras e mais máscaras que o ser 1-mano continua a criar pra esconder a idade que agoniza por dentro, onde ninguém mais pode ver, só a própria pessoa. Talvez por isso certas calças coloridas ou jeito de se vestir, ou ainda alguns quilos (sim, porque não quilos) de silicone na bunda ou nos peitos, ou ainda um grande foda-se estampado, ou ainda uma baixaria escancarada em horário nobre ou coisas do tipo sejam necessárias para se chamar atenção. Coitados dos que colocavam melancia num cordão e penduravam no pescoço como diziam nossas professoras da quarta série pedindo que ficássemos quietos.

Além de tudo isso, eu como professor ainda vejo todo dia algumas (tantas) crianças desde já tão imediatistas que ficam quase mortificadas, morrendo de impaciência com meu tom de voz mais brando e calmo tentando dar a cada um uma chance de falar e ser ouvido, talvez alguns anos de experiência de professores que as condicionaram a ouvir sempre o grito, sempre obedecer na marra e nunca falar. Brasileirinhos (como diria a Dilma) que não tem paciência nem para dar a chance ao outro, que dirá de silenciar um pouco até o fim da chamada, ou colaborar com a aula de história. Quem quer saber daquelas velharias? Pensam eles... olha só eles pensam! Tem gente que se surpreende com isso. Até com razão, já que os próprios por vezes se menosprezam (dói falar isso, mas é a verdade nua e crua), se veem como diferentes, se xingam, acham que é coisa de criança xingar, humilhar o colega com seus defeitos e diferenças, ou as vezes não acham nada. Das duas formas são pessoas que futuramente já estaram condicionadas a manter o sistema.

Talvez neste exato momento eu já possa ter perdido todos os 14 seguidores que tenho até agora neste blog ou perdido até os anônimos que aqui passam, por causa de um post tão denso. Talvez se cada um parasse um pouquinho pra pensar, refletir, escrever, gostar de saber, esperar o fim da chamada, dar uma chance ao outro, etc. Fosse mais comum e menos cansativos lermos ou debatermos pensamentos nossos e de outros.
Talvez eu fruste você que vai ler estas palavras finais, mas o que eu quis dizer com isso tudo é que PENSAR AS VEZES FAZ FALTA!

"O mundo tá ao contrário e ninguém reparou", certo está é o abilolado. Vou voltar a leitura... boa noite a todos!

quinta-feira, 14 de abril de 2011

A Bola da Vez

Esta semana (ontem) Fortaleza fez aniverário, 200 e 80 e tantos anos. O que comemoram nestes duzentos e 80 e tantos anos ontem na praia de Iracema ao som de Daniela Mercury? O Panis et Circencis que vivemos aqui, talvez? Esquecer por duas ou três horas a quantidade de buracos que temos aqui, a quantidade de pessoas que vivem em áreas de risco, a quantidade de pessoas que podem estar sendo furtadas até mesmo durante o show, assaltadas na volta para casa, enfim... Tudo isso pelo simples motivo de que a 200 e oitenta e tantos anos uma decisão meramente política e burocrática e até econômica elevou Fortaleza a condição de vila.

Então... não quero simplesmente comemorar por aqui, mas pegar a bola da vez, o atual tema queridinho da mídia pra propor a vocês, caros leitores que movem misteriosamente o contador deste blog, uma reflexão sobre nossa segurança ou nossa insegurança... nossa POLÍCIA!

Porque falar disso agora? Simples, acabamos de testemunhar via rede Globo a elevação a condição de Herói o policial que parou a quase-encarnação-do-profeta-Maomé que saiu atirando em todo mundo naquela escola no Rio de Janeiro. Realmente uma pessoa que passa a imagem de alguém que leva a sério sua profissão e o que ela representa para a sociedade. Este é o primeiro exemplo de polícia que queria mostrar aqui: um BOM exemplo.

Como segundo exemplo, quero transcrever aqui um email que recebi de uma pessoa que conheço para atualizar os contatos telefonicos pois havia sido roubado, leiam logo abaixo:

Oi!! Boa noite!
No mês passado fui assaltado e me levaram o celular, relógio e carteira. Pois é, depois de 20 anos morando no meu bairro fui "escolhido". Graças à Deus que eu, [e meus familiares] que estavam comigo, não sofremos nenhuma agressão. 
Para quem não sabe tinha ido buscar com a [...] o [...] em um niver de 15 anos de [um determinado evento], e, na volta, por volta de 1H15 do domingo na entrada do bairro onde moro, me deparei com o "guarda de trânsito" (hoje posso rir) pedindo para parar gentilmente com uma arma apontada e pedindo os "documentos". Ainda bem que ele não estava com o "guincho" para levar o carro.
Com muita dificuldade estou remontando minha agenda telefônica e lembrei do canal hotmail para tentar acelerar esse processo. Depois que concluir vou passar a usar a agenda virtual da operadora de celular para evitar contratempos, pois rapidamente consegui bloquear e recuperar o nº do meu celular, mas a agenda...
Por gentileza me envia teus números de móvel e fixo (casa e trb).


Então né, assalto é meio que um consórcio, nosso colega ai de cima demorou 20 anos pra ser contemplado. Eu em menos tempo já tive por volta de 5 contemplações. Sortudo? Acho que não. Talvez alguns policiais que eu já vi em alguns lugares tranquilos fazendo uma blitz na qual ninguém iria parar, dando tempo e condições assim para aquele bom e velho bate papo tranquilo e calmo, que de tanto ver tive vontade de criar este blog para falar dessas coisas... talvez esses devessem estar passando lá pra ficar de olho no "colega de profissão guarda de trânsito que resolveu dar uma de assaltante". Enfim, nem precisa dizer que esse é o caso do mau policial né, quando eles estão presentes!

Pra encerrar, já que nós aqui somos o Ceará moleque, dou meus parabéns para a nossa Fortaleza Bela e para a nossa Fortaleza Peba (como se está sendo chamada no Orkut) com outro caso policial, creio que do ano passado já, mas contado com uma pitada de humor pelos Melhores do Mundo. Feliz Aniversário!





quinta-feira, 31 de março de 2011

O sol se esconde na Barra do Ceará

Voltando pra casa depois de mais um dia na escola, passei por um determinado ponto perto do pólo de lazer (?) da Barra do Ceará: Putz! Que vista linda, merece uma foto! Pena que estou dirigindo, ah vai assim mesmo... mas é perigoso aqui... mas ta tão bonito =/. Peguei o celular no bolso, baixei o vidro (doido!) e tirei uma foto. As ondas não apareceram em seu melhor ângulo e o sol se escondeu! ¬¬ Terrivel perca para a foto, tendo em vista o momento que estava realmente único. Por outro lado, grande idéia para o blog! Me perguntando por que o sol se escondeu, nasceu o título do post, logo após veio todo o resto. Só faltava chegar em casa e escrever.

Bem, aqui estou. Eu fui doido de baixar o vidro no mesmo lugar em que já vi (também passando de carro) uma pessoa ter sua bolsa de praia arrancada das mãos, o pivete passou correndo na frente do carro. Acho que o sol sentiu que eu hesitei, se tocou do motivo e se escondeu também! Alguém podia, sei lá, roubar seu brilho ou sua cor, talvez. Nunca se sabe. Daí comecei a pensar que do outro lado do carro tinha uma favela, uma imagem que não condizia muito em termos de beleza com o belo por de sol e as aguas agitadas que sempre vejo e que sempre me fascinam. Vamos brincar de esconde-esconde? Eu me escondo por trás do fumê do vidro, o sol se esconde detrás da árvore e a foto esconde as pessoas que moram ali, que talvez nem percebam o sol, mas mesmo assim o sol se esconde.

Ensino em uma escola que acolhe alunos de várias comunidades carentes, dos mangues da Barra do Ceará, inclusive. Tão carentes também são tantos alunos que, em redações para uma professora, escrevem um desabafo sobre o pai que é gente boa mas tem um defeito, bebe muito e por conta dos problemas de casa, o menino quer fugir pra um lugar muito longe. Alunos que logo após assitirem "todo mundo odeia o Chris" na minha aula e produzirem com grafia de fazer "xorar" o "portuguêis" (a língua, não o seu Manoel) um texto sobre o preconceito, saem chamando uns colegas negros de "feijão" ou outros de "gordim" de maneira pejorativa. Alunos que enfeitam as canetas com cápsulas de balas de revólver ou contam histórias de gente que comprou o "bagulho" deles sem pagar. Alunos "sem futuro" que "não querem nada com a vida", muito fácil sempre soltar esses bordões, difícil tentar ver o que há por trás desse desinteresse. Mais difícil ainda quando você consegue enxergar além do aluno seus problemas, os de sua família, os de sua comunidade, mas ele tão carente de uma orientação não escuta uma palavra sua, prefere ser o maioral enquanto tem marra pra esbravejar na escola do que pensar num futuro que ele não sabe se vai viver e que, se viver, poderá ser bastante chato ou ainda mais difícil do que a vida que ele leva agora, já que ele vai ter que se virar.

Enfim... tudo isso está tão na cara e tão escondido ao mesmo tempo, já que alguns não querem ver, fazem de conta que não veêm, veêm mas não conseguem fazer nada...

Enquanto isso o tempo passa, as estruturas se mantém e a brincadeira continua, sempre. Afinal, até o sol se esconde na Barra do Ceará.


quarta-feira, 30 de março de 2011

Quanto vale um blog? (segunda parte)

Depois que pesquisei alguns sites e notícias sobre o blog da Bethânia naquele fatídico dia que de tão grande, quase ouve-se o boom de notícias sobre o assunto, achei algumas pessoas defendendo a cantora.

Argumentos bem colocados, oportunos e plausíveis, principalmente os que Caetano Veloso colocou no Observatório da Imprensa. Mais principalmente ainda os que ele escreve sobre a imprensa tendencio-maliciosa que temos no Brasil. É interessante depois do calor do momento vermos o outro lado da moeda, aquele mais paciente que espera a poeira baixar pra falar algo em uma melhor ambiência.

Eu quis tentar colocar uma visão no meu post anterior focando nem tanto o valor liberado para captação do blog dela, mas do que se pode fazer mesmo sem tamanho recurso se você quiser dispor das ferramentas que a www te dispõe, já que o X da questão foi o "blog". Mesmo assim, agumas pessoas com as quais tive oportunidade de ter um retorno sobre o que escrevi demonstraram não ter captado e desceram novamente o sarrafo indiscrimidamente na MB. Repliquei? Não! Deixa a pessoa ter a visão dela, o bom de escrever é poder suscitar discussões, as concepções e conclusões das pessoas que leem fogem ao escritor.


PORRA ANDRÉ, criticou antes e agora arregou?????????????

Não! Mantenho minha mesma opinião de que se qualquer artista tiver vontade de fazer qualquer coisa com as ferramentas gratuitas na internet ele pode; e que algum dinheiro que rola ou deixa de rolar por ai poderia ser melhor empregado (se bem que antes dos artistas, nesse ponto, temos muitos políticos para criticar). Mas talvez algumas coisas que tentei falar que não ficaram claras possam ficar com o que Caetano fala aqui, pra gente entender que nem sempre onde está o olho do furacão é o X realmente da questão.

E quanto ao Caetano se tiver oportunidade de ler um dia o que escrevi, assim como todos os que se solidarizaram com Maria Bethânia... não fiquem chateados conosco, internautas escritores ou que se metem a sê-lo. A gente faz parte de um Brasilzão que nos deixa já tão chateados com tantas coisas, tantas notícias, tanta corrupção, tantos tantos... que qualquer coisa nos faz reagir de maneira muito a flor da pele. A vida é curta e temos pressa, estamos cansados...

E quanto a caixinha de leite do post anterior? Ahh, vai dizer que não ficou legal! =P

domingo, 20 de março de 2011

Sempre a direita e abaixo de 30

Alguns elementos do dia a dia me motivaram a criar este blog. Pessoas que via na rua, alguns pores de sol, alguns "céis" singulares, alguns fatos pitorescos, alguns buracos nas ruas ou até mesmo policiais militares fazendo blitz em alguma esquina erma para ter a tranquilidade e o tempo suficientes para por o papo em dia. Registrar essas pequenas cenas do cotidiano era uma vontade minha dai o "todo dia fazer tudo igual"... capturar o que se vê de diferente no cotidiano que o torna único para cada pessoa e (para algumas pessoas, por incrível que pareça) diferente a cada dia.

Hoje foi um domingo incomum, voltei pra casa cedo depois de um bate perna no shopping, e em determinado ponto da Aldeota andando sempre pela faixa da direita e abaixo dos trinta quilômetros por hora (coisa que raramente conseguimos fazer em Fortaleza) me dei conta daquela tranquilidade incomum, resolvi fotografar um pouco (não se preocupem, tomei todo o cuidado e dei prioridade a dirigir, hehe).

Na verdade a vontade de fotografar começou dias antes quando a lua estava incrivelmente linda, até tirei uma foto, mas meu celular não conseguiu captar a visão que vi da lua. =( Dai hoje na livraria vi o livro do Gessinger e... FOTO, pouco tempo depois vi o livro "O doce veneno do escorpião" da Bruna Surfistinha, tirei o livro do lugar e a surpresa veio no livro logo abaixo: Aberto para a vida! Quanta coincidência (e sim, quanta maldade a minha hehehe). Não preciso nem dizer que tive uma crise de riso =P, desse não tirei foto, mas enfim, vou deixar de blá blá blá e deixá-los ver as fotos. =)



















quarta-feira, 16 de março de 2011

Quanto vale um blog?

Estive um tempo sem escrever. Faz tempo que nem as estatísticas de visitação do blog eu não olho... Estive fora no carnaval, na volta descanso e preparativos pro retorno ao trabalho. Enfim... não deu pra passar aqui como deveria, até porque sempre passo por aqui quando tenho certeza do que escrever pra não sair muita besteira (espero estar atingindo essa meta)!

Esse post vai contra todas as apostas de que eu iria escrever algo mais poético relacionado a viagem que fiz no carnaval... era o que eu esperava escrever.

Bom, a questão é que neste final de quarta-feira, dia 16 de março de 2011 eu, como alguns outros internautas, fui surpreendido pela noticia de que a cantora Maria Bethânia conseguiu pela lei Rouanet (baseada em incentivos fiscais para que empresas privadas possam patrocinar artistas brasileiros - devo essa informaçao a meu amigo Léo Porto =D) a bagatela de 1,3 milhões de reais do Governo Federal para criar seu blog "O mundo precisa de poesia". Um cara  (ou moça, o nome não me permite saber à primeira vista) iria dirigir 365 videos da Bethânia recitando poesia... algo assim. Tal fato teria ajudado a encarecer o projeto. Enfim, depois de escrever e refletir sobre "quanto vale uma canção" eu não poderia, tendo lido essa notícia, deixar de me perguntar QUANTO VALE UM BLOG?

Poxa, 1,3milhões de reais dá pra comprar milhões de sacos de 1 litro de leite Betânia (hehe, não podia deixar de usar essa comparação) e alimentar algumas bocas famintas. A discussão mais presente nas notícias que pesquisei é se é justo dar tanto dinheiro para uma pessoa famosa e tal ou se recusaria o benefício por ser alguem famoso que se sabe que tem (claro que tem) um pezinho de meia guardado embaixo do colchão em casa. Eu diria que o ponto é outro!

Se o mundo precisa mesmo de poesia uma camera digital, uma ideia, boa vontade e alguns amigos que apoiem a idéia seria o bastante pra vir ao blogspot (por exemplo) e usar um trunfo muito valioso (o nome Maria Bethânia, consagrado ai pela MPB) e ZAZ! está feito um blog que pessoas podem acessar de qualquer lugar do mundo! Pra que retirar 1,3 milhões da receita pública do país? Quem sempre faz isso impunemente são os políticos corruptos, não cantores famosos. Mais me intriga e me faz escrever estas breves linhas virtuais o fato de nossa querida Ana de Hollanda ser a ministra da cultura. OPS! Ana de Hollanda, irmã de Chico Buarque de Hollanda, amigo de Maria Bethânia... olha que circulo de amizade legal (Deus sabe o quanto me dói citar desse modo, com tamanha ironia, o nome de Chico Buarque, mas...).

Só sei que não sei mais o que pensar nem o que esperar nesse brasilzão de meu Deus...
Só sei que eu não ligo nem praquele link chamado "gerar receita" no qual eu poderia ganhar uns trocados permitindo que fossem feitos anúncios no meu blog, eu ganharia por cliques nesses anúncios... prefiro que vejam meu blog quem gostar de ler o que eu escrevo, e quero escrever para que pessoas leiam e gostem, não para ganhar uns trocados com cliques poluindo meu espaço com propaganda!
Só sei que não tenho nem palavras para concluir este post por estar ainda estarrecido e pensativo/reflexivo sobre a questão...

Deixo então para algum eventual leitor alguns links que acessei sobre este assunto BlogBethânia antes de escrever, dai vocês podem pensar também e tirar suas próprias conclusões. Afinal não estou aqui pra dizer, ensinar ou apontar e sim pra pensar, escrever, compartilhar...

abraço a todos e até dias/posts/assuntos melhores!

PS NADAVER COM O ASSUNTO: Kadafi (sim, o da Líbia) deve ter adorado os terremotos e tsunamis do Japão, afinal o foco do mundo e da imprensa internacional deu folga pra Líbia né! É incrível como a imprensa acha que nós só podemos captar uma notícia por vez (espero que eles estejam errados)!!!

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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Quanto Vale Uma Canção?

Putz! Quem sabe dizer quanto vale uma canção? Quem consegue mensurar cada nota, pausa, compasso e cada instante de sentimento vivido, sofrido, dedicado a uma canção?

Este Questionamento caiu em minha vida como uma luva em uma noite em que tive mais certeza sobre algo que já sabia: uma canção não se mede, não se calcula, não se mensura, não nada! (pelo menos não antes de chegar ao ponto em que tange a industria, a finança, a infra-estrutura, etc, etc.

Ok, muita empolgação aqui no começo do post... vamos por partes pra que vocês entendam. Quanto vale uma canção é um projeto musical de SP que teve uma edição aqui em Fortaleza no último dia 15 de Fevereiro (2011) com uma galera muuuuito bacana. Um dos formidáveis cantores é meu companheirinho Felipe Breier, parceiro em uma canção que ele tocou lá, chamada "Minha" (originalmente um soneto - soneto do querer). Fiquei muito ansioso, muito honrado, eufórico até (dentro de minha timidez/sizudez) pela idéia de que outras pessoas iriam apreciar agora minha canção. O que essas pessoas iriam achar, será que iriam gostar, etc, etc. Ah, tah! Fora o fato de que nessa mesma noite as canções iriam ser gravadas para se transformarem em um CD. Nunca antes na história desse país eu tive uma canção gravada em cd. Dai muito nevorsismo na hora, sozinho esperando começar, sozinho esperando chegar minha canção e por ai vai. Tanto que apertei no comecinho da música o botão de parar a gravação (PQP, fica explicada a diferença ai na qualidade do video - SANTO CELULAR COM CAMERA PRA SALVAR).

Enfim... as refelxões dos artistas sobre quanto vale uma canção, as canções belíssimas, uma melhor q a outra, meu estado meio nervoso e tal... o espaço do SESC Iracema todo escuro (exceto o chão descoberto pelo palco que revelava um cinza, mas o resto tuuudo escuro). Era uma situação tão única, eram músicas tão intensas que ao olhar praquele preto todo do teatro parecia que você não estava em lugar nenhum. Dai caiu a ficha: poxa... transcendi, nesse instante em que tive o estalo do que estava acontecendo tive a nítida sensação de que eu poderia sair pela porta do teatro em qualquer lugar do mundo ou em lugar nenhum, pois parecia que ali naquele instante não estavamos em lugar nenhum. Eramos apenas vibrações, ondas tais quais as canções que estavam sendo ali tocadas. É algo difícil de explicar, talvez por ser uma viagem um tanto particular. Mas se vocês aí, caros leitores, se imaginarem em um nada preto (há quem imagine um nada branco rsrs) em que não há senso de direção, espaço, nada, no máximo você sente os pés num chão que não vê. Para uns pode ser prisão, mas para mim foi libertação, pois eu estava sendo guiado pelas canções que ouvia.

Não creio que consiga continuar a escrever por acreditar que não há como se explicar o que senti, mas como disse ao meu companheiro e amigo Felipe: "não sei o que seria de minha vida se não tivesse vivido essa noite"!

Quanto vale uma canção
"Quanto vale a vida longe 'do que' te faz viver"?


Logo abaixo eu e meu companheirinho F. Breier

sábado, 12 de fevereiro de 2011

La do alto deve ser bonito!

Olá caros leitores, espero que todos estejam tão bem quanto eu! = )

Passei um tempo sem postar por aqui pois estava divulgando uma festa da Guardas da Fronteira (minha banda, cover de Engenheiros do Hawaii).

Nesse ínterim, pass(e)ando pelo Via Sul, subi às alturas do 5º andar do estacionamento de lá quando reparei a vista que se tinha da cidade. Por curiosidade uma cidade que (escrevendo agora) dei o nome de esquecida, afinal tudo o que "interessa" em Fortaleza acabava ali: os shoppings (o próprio Via Sul), os restaurantes, casas de shows, etc, (no máximo se salvaria a cidade fortal - quando! tivesse fortal). Na vista eram só casas e algumas luzes da cidade "não esquecida" no canto da foto. Lembrei logo do blog: poxa que vista pra compartilhar. Fotografei, porém não sabia ainda o que escrever sobre aquela foto. Foi quando comecei a perceber que muitas coisas nas quais vemos beleza, muitas paisagens sejam urbanas, praianas, rurais ou do tipo wallpaper do Windows são belas pois tem vista panorâmica ou são vistas do alto.

Lembrei então da canção do Humberto (o Gessinger) que diz que “lá do alto deve ser bonito”. Só que esse bonito que vi do alto, muitas pessoas consideram feio visto de perto quando se vêem os moradores, a lama, os cachorros passeando, “lutando pra sobreviver”, as casas simples, os mercantis dos Zés, as oficinas dos irmãos, etc. Em uma cidade/sociedade segregada como a nossa é muito fácil ver a cidade de cima, pois a heterogeneidade social fica homogênea. Não sabendo o que se vê de verdade é mais fácil achar aquilo bonito: pura “ilusão de ótica, (...) a visão do microscópio é o ópio do trivial” (olha só outra referência ao Gessinger).

Espero que possamos um dia ver de perto, “ver com os próprios olhos, ver a vida como ela é” e achar tudo isso Fortaleza Bela (de verdade). Espero isso, acima de tudo, até por mim que também vejo algumas coisas de longe, mesmo vendo outras mais perto do que eu queria ver.

“Sou cego, não nego, enxergo quando puder”
“Lá do alto deve ser bonito! Aqui de cima até que é legal!”

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Meio Bossa Nova e Ronquenrou

Pra amenizar um pouco o clima do blog após o ultimo post meio tenso, trago de novo reflexões sobre a cidade. Após muitos buracos, alagamentos e aventuras que passei nessa época chuvosa, fora o fato de não "ecxistir" mais o paranjana (quem diria) consegui sobreviver e viver um domingo excepcional: bom ensaio, rever amigos, tarde agradável, passagem por uma boa livraria e... surpresa! Lá estou eu no caminho de volta escutando Tom Jobim e Frank Sinatra no carro. As canções do Tom em inglês na voz de Sinatra me fez sentir numa novela do Manoel Carlos (putz, que comparação rsrs): tudo bem, tudo no lugar, todo mundo feliz, tudo encaminhado e prenuncio de uma boa semana pela frente. Quando de repente uma parada não programada para um lanche perto do Parque do Cocó.

Morei mais ou menos ali por perto durante algum tempo na minha infância e ao olhar para o contraste de céu, prédios e árvores mais precisamente no cruzamento da Eng. Santana Jr. com a Pe. Antonio Tomas me sinto como em casa, ou pelo menos em um ambiente familiar... agradável. É bom ter coisas legais como shoppings, lugares pra comer e supermercado bem perto da sua casa, além da natureza sobrevivente do Cocó: uma conveniência a lá Chico Buarque, estar na mata sabendo que a qualquer momento se pode voltar pra cidade e tomar um Chopp. Talvez o clima quase de chuva tenha contribuido pra tornar aquele céu, aquela brisa, aquelas luzes e até aqueles carros e transeuntes únicos pra tornar aquela imagem, aquele lugar bem familiar. Não pude deixar de notar que a música também me alertara pra situação, me senti contemplando o conjunto da obra entre os prédios de Sinatra e as árvores de Jobim... Sintonia perfeita, tudo se encaixava: a paisagem, a memória, a música, o contexto e até o blog para compartilhar minha cidade com eventuais leitores que nunca terão o prazer de conhecê-la por não a terem vivido como eu vivi. Porém a tecnologia me permite compartir ao menos a paisagem para convidá-los a iniciarem a vivência de vocês (mesmo os que conhecem o local, quem sabem não o enxergam com outros olhos hoje).



Pois é, e pra quem pensa que a noite ia acabar meio bossa nova, para minha surpresa um telefonema recebido me traz um novo membro à família dos cacarecos e miniaturas pra minha mesa POWW a noite termina em Ronquenrou, quem sabe anunciando o que está por vir nessa terra de gigantes, mostrando que todas as certezas desse dia, tudo que era sólido para o bem ou para o mal desmanhcha, dissolve no ar

que venha em paz o que o futuro trouxer

novo membro da família (mini SG)

valeu Jorge e Carla!

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Aconteceu Com Um Amigo Meu!

Engraçado quando ouvimos essa frase, "aconteceu com um amigo meu", logo imaginamos que foi com a pessoa que conta, que é uma história engraçada e que tem haver com sexo. A história que vou contar, acreditem ou não "aconteceu com um amigo meu", tem haver com sexo, porém de engraçada não tem NADA!

Um amigo meu que também é professor me contou que na escola dele tem uma aluna na faixa de 12 a 14 anos mais ou menos que quando ele chegou na sala dela a primeira impressão que teve dela era de uma garota trabalhosa e abusada até (ele arriscou falar). Bem, com o passar do tempo ele percebeu que tratando-a bem ela daria um bom retorno, e assim foi. Ela com o tempo passou a ser mais educada com ele, menos agitada e mais consciente em sala, ainda dentro dos padrões dela, mas parecia que as mudanças eram bem visíveis. Ele chegou pra mim esses dias falando que queria muito compartilhar algo que ele ficou sabendo através de uma conversa de bastidores que ele ouviu sem querer: a garota estava grávida! E pior, grávida de uma espécie de padrinho, benfeitor que sustenta a casa. E pior!!! Com o conhecimento da mãe, afinal como eu falei o dito cujo é o provedor da casa. Segundo descrições do meu colega aflito, a garota até tem já um corpo formado que já não passa mais despercebido, mas que em seu olhar não se nega a pouca idade e o semblante de uma criança. Ao que parece ele já sabia dessa história há algum tempo, só que hoje ele me disse que não aguentou mais ficar sem desabafar com alguém pois percebeu que a barriga da garota já estava saliente e isso mexeu com ele. 

Meu colega se inquetou bastante com o caso, pois queria fazer algo pra mudar a situação... Me indignei junto a ele em nossa conversa, pois também não consigo ficar calado diante de certas coisas. Denúncia! Primeira palavra que vem ao pensamento. Só que depois ele me falou que o caso é mais sério: que implicações uma denúncia iria trazer a ele e a escola e até pra vida da garota. O que aconteceria com a família, como será que a própria garota lida com isso, será que ela iria aprovar uma atitude do tipo ou isso traria infelicidade a ela, afinal família é família e na mente de uma criança é algo que está bastante fincado. Depois da conversa me lembrei do filme brasileiro "Crônicamente Inviavel" (maiores informações vide google) que mais ou menos mostra que as vezes até fazendo o bem você consegue acabar fazendo a maior burrada ou destruindo ainda mais o que tentava melhorar por conta da situação em que o caso estava.

Pensei também no nosso amparador para todas as horas: o Estado. Não confio nos serviços do Estado como por exemplo o conselho tutelar. Claro que existem pessoas que fazem a coisa minimamente funcionar. Não quero ser sensacionalista, mas não podemos negar que muitos dos que se candidatam a conselheiro o fazem como um trampolim para a candidatura a vereador e assim se inicia mais um processo de políticagem. Dai como poder confiar uma situação dessa ao Estado?

É tanta informação que ainda estou processando que não sei nem mais o que escreva. Não quero que este post (mesmo tenso) venha pra trazer um clima negativista, mas que pelo menos nos faça pensar um pouco nas questões que o assunto envolve. Eu por mim castrava o indivíduo e fazia ele engolir seus orgãos genitais... Mas antes que alguem me condene, censure, prenda ou que suspendam o blog por conter idéias violentas prefiro parar por aqui, até por não saber como terminar o texto dessa vez.

O melhor que posso fazer é agradecer por não ter conhecido essas pessoas envolvidas para não estar com um sentimento de repulsa maior e pelo fato de que isto aconteceu não comigo, mas com um amigo meu.

PS: Desculpem algum constrangimento com o teor das palavras e do assunto dessa postagem.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

E se sobrarem só 5 justos?

Acho que é Ló o nome do cara que estava intercedendo a Deus pela cidade de (Sodoma ou Gomorra, não lembro) enchendo o saco do Todo Poderoso com a pergunta: e se sobrarem X justos, Senhor, a cidade será poupada? A moral da história é que no final das contas se sobrasse um justo na cidade todos os ímpios seriam poupados, poréééém, haveria de se convir que era melhor ter um justo morto homenageado por ter sido sacrificado com os maus do que um justo morto pelos maus que viveram.

Essa história toda é pra complementar o texto anterior. Já que falei da experiência de levar Charles Chaplin para meus alunos mais "dificultosos", venho agora depois de 4 sessões de "Tempos Modernos" em 4 turmas diferentes de 8º ano dizer a vocês leitores que SIM! Agora alguém odeia Charles Chaplin. Vou ser mais direto e divulgar as estatísticas:

1ª turma (considerada boa): muitos risos, percepção de pequenos detalhes da pantomima, motivação pro dono do blog escrever o post anterior e fotinha da turma aqui.

2ª turma (considerada boa, porém sonolenta): muitos risos, alunos que surpreenderam por terem adorado o filme, alguns poucos demonstram sinal de chateação.

3ª turma (considerada chata, não te deixa nem fazer a chamada): risos dentro do esperado, muitos mostraram desinteresse antes mesmo de chegar a sala de vídeo, chamei atenção algumas vezes, comecei a pensar que o filme poderia ser massante para eles. CUIDADO CHARLES, estão começando a lhe odiar.

4ª turma (considerada razoavel com alunos ótimos e alunos err.. "não ótimos", digamos): antes de chegar a sala já queriam ir pra casa, muitas reclamações quando aviso que o filme não é dublado e que tem pouquíssimas falas. Muita conversa no início, tive que parar pra trocar aguns de lugar. Faltando 10 minutos pro final da aula disse que quem quisesse podia ir pra casa, quem quisesse poderia ficar. Alguns olharam pra ver se ia ficar alguém, mas quando viram que todos iam correndo já pra casa não queriam ser os otários que ficaram vendo a "besteira que o professor passou".

Pois é...  muitos de nós professores de história quando discutimos sobre como passar filmes em sala de aula, falamos que é necessário se fazer a edição, passar trechos, não deixar o filme massante. Mas poxa, eu como fã de Charles Chaplin não posso cometer o crime de resumir o filme à cena clássica da fábrica e dos tics nervosos do Carlitos. E como professor, não posso crer que os alunos não possam ser capazes de conhecer um mundo novo, principalmente porque na sala dos professores rola muita conversa de que "esses meninos são carentes e só acham que o mundo é essa vidinha deles, não querem ver além". Se alguém um dia não arriscar pra mostrar o novo pra eles, quem irá mostrar? E Quando? Quando passar a infância? Quando o novo não interessar tanto quanto o "eu tenho que trabalhar pra me sustentar, não tenho tempo pra essas besteiras"?

Hoje, para uns sou o cara dos filmes velhos e chatos, para outros sou só ainda o "tio", para alguns poucos quem sabe eu possa ser alguém que mostrou algo de novo que a pessoa não fazia idéia que existia. Mas e aí, o que fazer agora? Se render aos métodos práticos de se dar aula de história na sala de vídeo, ou arriscar usaro que me resta da paixão pela arte e tentar mostrar algo de novo para estes jovens?

Pra ser sincero, a resposta se tornou um pouco difícil para mim, tendendo mais a me deixar levar pela paixão. Já que, hoje, depois de eu liberar meus alunos, ficaram 5 justos!

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Todo Mundo Odeia Charles Chaplin


Calma! Pra quem já está com vontande de me matar pelo título do post, aviso logo que é apenas uma ilusão ao seriado "Todo Mundo Odeia o Chris", já que na verdade todo mundo ama o chris né! Da mesma forma, ou melhor, muito mais intensamente, todos amam ou pelo menos admiram o trabalho genioso de Charles Chaplin. Até o mais carrancudo headbanger chupador de limão já deve ter largado mão de suas caretas por conta de uma pantomima do Carlitos. Até hoje não conheci uma pessoa que não esteja enquadrado nessa regra, creio eu que a única sem excessão.

O fato é que, chegando ao capítulo de Revolução Industrial com meus alunos de 8o ano do ensino fundamental, levei para eles o filme Tempos Modernos pra discutirmos as questões do trabalho e da vida moderna, blá blá blá. O ponto é que na rede pública de ensino os professores lidam muitas vezes com alunos totalmente sem estimulo pra ir a escola (seja por qual razão for) e que, apesar das estranhezas, e as reclamações iniciais pelo filme mudo e em preto e branco, estes jovens quase hiperativos da geração restart/crepúsculo/swingueira/pagode que não dá trégua ou dedica sua atenção a alguma coisa facilmente logo estavam às gargalhadas com o filme. É interessante que estes jovens que por muitas vezes se mostram tão avessos a novas (e antigas) formas de linguagem, que, por preguiça, leem no máximo três palavras por parágrafo de um livro didático (na maioria dos casos) estejam atentos aos mais tênues sinais de humor, rindo, gargalhando, absorvendo esta nova linguagem. Pena que pelo baixo número de alunos na escola os garotos foram liberados mais cedo (ainda dei a chance de ficarmos vendo os filmes, mas preferiram curtir o clima de chuva em casa).

Pois é, me rendo ao cara e, descaradamente neste post, teço elogios a vida e obra de Charles Chaplin (fica até a dica pra quem gostar de ler, sua autobiografia: "Minha Vida"). E o espaço que venho compartilhar hoje? Fica com vocês uma foto das crianças assistindo ao filme e quem sabe um espaço na memória deles que permita que no futuro ocorra algum diálogo do tipo: "ah, eu já vi esse filme em algum lugar" ou "amiga, esse é o filme que aquele prof. passou, lembra? qual era mesmo o nome daquele professor?"

É isso ai... Fé Cega e Pé Atrás


domingo, 2 de janeiro de 2011

O ultimo dia de dezembro é sempre igual ao primeiro de janeiro

Pronto pra sair pro reveillon, faltava apenas o calçado, olhei carinhosamente pro meu all star vermelho e disse: é você! Quando vou calçando percebo que ele ainda está sujo de areia da praia do show do Pouca Vogal (17/12)... bah, vai assim mesmo... Bom presságio pro ano que se inicia já que só tive alegrias nesse show, além de conhecer pessoas maravilhosas. Esses pequenos grãos de areia que nem chegaram a incomodar trariam junto a simbologia hawaiiana do all star engrenado tão somente boa energia.

Pensando nesse pequeno fato, sozinho em casa esperando meu pai para sair, fiquei pensando na força do silêncio que move milhares de pessoas fãs, como eu, do trabalho e até da pessoa do Humberto Gessinger. Nesta noite de 31/12/10 creio que iniciei o que pode se tornar um ritual pra todo reveillon daqui pra frente: sozinho, all star engrenado, meu violão e "quase uma oração" (maltz): a canção Em Paz (gessinger). Lembrei no momento em que cantava "em paz" do trecho da canção supracitada de Carlos Maltz: "muito longe daqui, alguém está cantando, em silêncio e só, quase uma oração". Era eu neste momento, em silêncio (coisa rara, pois confesso que acostumei ao barulho da televisão em casa) e só, atentando para os pequenos rituais de oração que nós engenheiros hawaiianos temos, seja um tênis, uma frase no msn, uma comunidade no orkut, um cd no armário, uma idéia na cabeça, ter feito um twitter só pra seguir o @1bertoGessinger, um adesivo no vilolão, etc, etc, etc...

Tinha outras coisas pra falar aqui, da volta pra casa, do jantar em família e da ávore de natal feita de latas de leite ninho do meu sobrinho Gabriel, que ontem completava um ano, política... mas acabei envolvido por este ritual que pratiquei pela primeira vez até agora, faltando 52 minutos pro segundo dia do ano, e por isso mesmo encerro por aqui minhas palavras. Meu espaço ou retrato que hoje quero compartilhar não é físico, mas espiritual. Tenho certeza de que estes 31/12 - 01/01 foram singulares para mim, dias até diferentes, quem sabe. Mas tão somente pra professar minha fé, não posso negar que o último dia de dezembro é sempre igual ao primeiro de janeiro!

feliz ano novo (de novo)

andré ramos