quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Quanto Vale Uma Canção?

Putz! Quem sabe dizer quanto vale uma canção? Quem consegue mensurar cada nota, pausa, compasso e cada instante de sentimento vivido, sofrido, dedicado a uma canção?

Este Questionamento caiu em minha vida como uma luva em uma noite em que tive mais certeza sobre algo que já sabia: uma canção não se mede, não se calcula, não se mensura, não nada! (pelo menos não antes de chegar ao ponto em que tange a industria, a finança, a infra-estrutura, etc, etc.

Ok, muita empolgação aqui no começo do post... vamos por partes pra que vocês entendam. Quanto vale uma canção é um projeto musical de SP que teve uma edição aqui em Fortaleza no último dia 15 de Fevereiro (2011) com uma galera muuuuito bacana. Um dos formidáveis cantores é meu companheirinho Felipe Breier, parceiro em uma canção que ele tocou lá, chamada "Minha" (originalmente um soneto - soneto do querer). Fiquei muito ansioso, muito honrado, eufórico até (dentro de minha timidez/sizudez) pela idéia de que outras pessoas iriam apreciar agora minha canção. O que essas pessoas iriam achar, será que iriam gostar, etc, etc. Ah, tah! Fora o fato de que nessa mesma noite as canções iriam ser gravadas para se transformarem em um CD. Nunca antes na história desse país eu tive uma canção gravada em cd. Dai muito nevorsismo na hora, sozinho esperando começar, sozinho esperando chegar minha canção e por ai vai. Tanto que apertei no comecinho da música o botão de parar a gravação (PQP, fica explicada a diferença ai na qualidade do video - SANTO CELULAR COM CAMERA PRA SALVAR).

Enfim... as refelxões dos artistas sobre quanto vale uma canção, as canções belíssimas, uma melhor q a outra, meu estado meio nervoso e tal... o espaço do SESC Iracema todo escuro (exceto o chão descoberto pelo palco que revelava um cinza, mas o resto tuuudo escuro). Era uma situação tão única, eram músicas tão intensas que ao olhar praquele preto todo do teatro parecia que você não estava em lugar nenhum. Dai caiu a ficha: poxa... transcendi, nesse instante em que tive o estalo do que estava acontecendo tive a nítida sensação de que eu poderia sair pela porta do teatro em qualquer lugar do mundo ou em lugar nenhum, pois parecia que ali naquele instante não estavamos em lugar nenhum. Eramos apenas vibrações, ondas tais quais as canções que estavam sendo ali tocadas. É algo difícil de explicar, talvez por ser uma viagem um tanto particular. Mas se vocês aí, caros leitores, se imaginarem em um nada preto (há quem imagine um nada branco rsrs) em que não há senso de direção, espaço, nada, no máximo você sente os pés num chão que não vê. Para uns pode ser prisão, mas para mim foi libertação, pois eu estava sendo guiado pelas canções que ouvia.

Não creio que consiga continuar a escrever por acreditar que não há como se explicar o que senti, mas como disse ao meu companheiro e amigo Felipe: "não sei o que seria de minha vida se não tivesse vivido essa noite"!

Quanto vale uma canção
"Quanto vale a vida longe 'do que' te faz viver"?


Logo abaixo eu e meu companheirinho F. Breier

sábado, 12 de fevereiro de 2011

La do alto deve ser bonito!

Olá caros leitores, espero que todos estejam tão bem quanto eu! = )

Passei um tempo sem postar por aqui pois estava divulgando uma festa da Guardas da Fronteira (minha banda, cover de Engenheiros do Hawaii).

Nesse ínterim, pass(e)ando pelo Via Sul, subi às alturas do 5º andar do estacionamento de lá quando reparei a vista que se tinha da cidade. Por curiosidade uma cidade que (escrevendo agora) dei o nome de esquecida, afinal tudo o que "interessa" em Fortaleza acabava ali: os shoppings (o próprio Via Sul), os restaurantes, casas de shows, etc, (no máximo se salvaria a cidade fortal - quando! tivesse fortal). Na vista eram só casas e algumas luzes da cidade "não esquecida" no canto da foto. Lembrei logo do blog: poxa que vista pra compartilhar. Fotografei, porém não sabia ainda o que escrever sobre aquela foto. Foi quando comecei a perceber que muitas coisas nas quais vemos beleza, muitas paisagens sejam urbanas, praianas, rurais ou do tipo wallpaper do Windows são belas pois tem vista panorâmica ou são vistas do alto.

Lembrei então da canção do Humberto (o Gessinger) que diz que “lá do alto deve ser bonito”. Só que esse bonito que vi do alto, muitas pessoas consideram feio visto de perto quando se vêem os moradores, a lama, os cachorros passeando, “lutando pra sobreviver”, as casas simples, os mercantis dos Zés, as oficinas dos irmãos, etc. Em uma cidade/sociedade segregada como a nossa é muito fácil ver a cidade de cima, pois a heterogeneidade social fica homogênea. Não sabendo o que se vê de verdade é mais fácil achar aquilo bonito: pura “ilusão de ótica, (...) a visão do microscópio é o ópio do trivial” (olha só outra referência ao Gessinger).

Espero que possamos um dia ver de perto, “ver com os próprios olhos, ver a vida como ela é” e achar tudo isso Fortaleza Bela (de verdade). Espero isso, acima de tudo, até por mim que também vejo algumas coisas de longe, mesmo vendo outras mais perto do que eu queria ver.

“Sou cego, não nego, enxergo quando puder”
“Lá do alto deve ser bonito! Aqui de cima até que é legal!”