quinta-feira, 31 de março de 2011

O sol se esconde na Barra do Ceará

Voltando pra casa depois de mais um dia na escola, passei por um determinado ponto perto do pólo de lazer (?) da Barra do Ceará: Putz! Que vista linda, merece uma foto! Pena que estou dirigindo, ah vai assim mesmo... mas é perigoso aqui... mas ta tão bonito =/. Peguei o celular no bolso, baixei o vidro (doido!) e tirei uma foto. As ondas não apareceram em seu melhor ângulo e o sol se escondeu! ¬¬ Terrivel perca para a foto, tendo em vista o momento que estava realmente único. Por outro lado, grande idéia para o blog! Me perguntando por que o sol se escondeu, nasceu o título do post, logo após veio todo o resto. Só faltava chegar em casa e escrever.

Bem, aqui estou. Eu fui doido de baixar o vidro no mesmo lugar em que já vi (também passando de carro) uma pessoa ter sua bolsa de praia arrancada das mãos, o pivete passou correndo na frente do carro. Acho que o sol sentiu que eu hesitei, se tocou do motivo e se escondeu também! Alguém podia, sei lá, roubar seu brilho ou sua cor, talvez. Nunca se sabe. Daí comecei a pensar que do outro lado do carro tinha uma favela, uma imagem que não condizia muito em termos de beleza com o belo por de sol e as aguas agitadas que sempre vejo e que sempre me fascinam. Vamos brincar de esconde-esconde? Eu me escondo por trás do fumê do vidro, o sol se esconde detrás da árvore e a foto esconde as pessoas que moram ali, que talvez nem percebam o sol, mas mesmo assim o sol se esconde.

Ensino em uma escola que acolhe alunos de várias comunidades carentes, dos mangues da Barra do Ceará, inclusive. Tão carentes também são tantos alunos que, em redações para uma professora, escrevem um desabafo sobre o pai que é gente boa mas tem um defeito, bebe muito e por conta dos problemas de casa, o menino quer fugir pra um lugar muito longe. Alunos que logo após assitirem "todo mundo odeia o Chris" na minha aula e produzirem com grafia de fazer "xorar" o "portuguêis" (a língua, não o seu Manoel) um texto sobre o preconceito, saem chamando uns colegas negros de "feijão" ou outros de "gordim" de maneira pejorativa. Alunos que enfeitam as canetas com cápsulas de balas de revólver ou contam histórias de gente que comprou o "bagulho" deles sem pagar. Alunos "sem futuro" que "não querem nada com a vida", muito fácil sempre soltar esses bordões, difícil tentar ver o que há por trás desse desinteresse. Mais difícil ainda quando você consegue enxergar além do aluno seus problemas, os de sua família, os de sua comunidade, mas ele tão carente de uma orientação não escuta uma palavra sua, prefere ser o maioral enquanto tem marra pra esbravejar na escola do que pensar num futuro que ele não sabe se vai viver e que, se viver, poderá ser bastante chato ou ainda mais difícil do que a vida que ele leva agora, já que ele vai ter que se virar.

Enfim... tudo isso está tão na cara e tão escondido ao mesmo tempo, já que alguns não querem ver, fazem de conta que não veêm, veêm mas não conseguem fazer nada...

Enquanto isso o tempo passa, as estruturas se mantém e a brincadeira continua, sempre. Afinal, até o sol se esconde na Barra do Ceará.


4 comentários:

  1. "Vamos brincar de esconde-esconde?"
    Isso foi bonito... o seu diálogo com o sol =p

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  2. Essas coisas estão tão na cara, más mesmo assim é tão difícil de enxergar, seja pq é uma realidade dura [e isso doe..] ou pq já acostumamos a virar a cara na hora certa [e isso é no automático..]. Porém ainda prefiro acreditar q momentos assim [vc encantado com o sol..] seja muito capaz de mudar muita gente, oq me permite sonhar com "dias melhores".

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  3. PS.: A foto ficou massa mesmo assim...

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  4. linda foto e o pior é q essa é a arealidade de grande parte do Brasil...bjokas tioo =D

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