domingo, 27 de maio de 2012

Da Puta que pariu a meu Deus do céu!

Ok caro leitor, no mínimo o título mais inusitado deste modesto blog, porém só este caberia. Sabem daquele ditado: Há mais coisas entre o céu e a terra do que compreende nossa vã filosofia? Então, existem mais coisas ainda entre um PQP e um meu Deus do céu do que se possa imaginar. Além dessa dessas tantas coisas entre os dois, são expressões tão distintas (Deus e uma prostituta em trabalho de parto) mas que ao mesmo tempo soam uníssonas em seus significados, podendo ser até um sinônimo, dependendo do contexto no qual são proferidas!

A razão pela qual estou divagando sobre tais expressões é que foram as mais proferidas por mim este final de semana. Motivo: CHICO BUARQUE!

Na primeira vez que me peguei falando uma delas já foram logo as duas juntas, a caminho do show na Waschington Soares sentido praia/sertão, assim q passa o iguatemi e aquela curvazinha q por baixo dum viaduto já avisto o engarrafamento! Fui chegando diminuindo e quando vou parando lá se vai um "puta que pariu", o complemento da frase seria "que engarrafamento", só que por muita sorte somente na fileira de carros que eu estava o transito fluiu normalmente até já bem perto da Unifor, ai terminei a frase agradecendo "meu Deus do céu, obrigado". Soou meio estranho (rsrs) "Puta que pariu, meu Deus do céu obrigado!", foi no momento em que me dei conta do que eu tinha falado que encontrei a idéia pra escrever aqui sobre o tão esperado show do Chico.

Bom, estando no Siará Hall, tudo tranquilo, a espera foi tranquila, o show começou pontualmente e tal, mas vamos falar do tema do post: quando as luzes se apagam lá se vai um "meu Deus", quando vejo os músicos no palco, silêncio, quando a cortina se abre, tensão, quando começam a tocar, ataque cardiaco, quando o Chico entra no palco PUTA QUE PARIU! Pô, o Chico Buarque ali a poucos metros de mim cantando "pensou que eu não vinha mais, pensou..." (essa foi a 2ª música)! Cadê reação? Não tem, não tem PQP que dê jeito de acreditar que Chico estava ali. As músicas foram passando e deu pra ver melhor as piscadas que ele dava, os trejeitos, já dava pra cantar mais ao invés de olhar parado feito estátua.

Minha fase Chico está atualmente mais pros sambas dele, até pouco tempo a música do momento era "Injuriado". Escutava sempre repetidas vezes e durante muito tempo esperei demais pra ouvi-la ao vivo, só que já na finaleira minha relação com "Injuriado" sofreu adultério com "Sob Medida" que até bem pouco tempo eu não conhecia. A prova do crime é tanta que quando começou Injuriado foi muito massa, uma das músicas que eu já conseguia cantar, mas quando ele cantou Sob Medida, o coração foi a mil e não falei, mas pensei aquele puuuuuuta que pariu, bem sentido, bem falado (pensado nesse caso), externando (internamente) toda a emoção de estar ouvindo aquela canção! As lágrimas vieram aos olhos (não sei porque não rolaram) em dois momentos dessa música, um quando ele diz "eu sou sua alma gêmea, sou sua fêmea, seu par, sua irmã, eu sou seu incesto. Sou igual a você, eu nasci pra você, eu não presto" (PQP) e o segundo quando ele canta já no final "se você crê em Deus, encaminhe pros céus uma prece e agradeça ao Senhor, você tem o amor que merece" (PQP²)! "Todo o sentimento" foi também um momento ímpar, em "Anos Dourados" só pensava como estava sendo tudo poder ve-lo cantando essa e ao mesmo tempo imaginava como eu queria poder ver Tom Jobim ali com ele, nesse momento fiquei no "meu Deus do céu".

Apesar de ter ficado muito bacana a versão em homenagem ao Criolo Doido, queria ter ouvido Cálice inteira, Chico podia ter quebrado esse galho pra mim, mas enfim depois que ele terminou o "rapzinho" e cantou a melodia original de Cálice, aquele refrão calado quando desligaram os microfones no festival Phono73! Ai não deu, foi com todas as pausas, toda ênfase, com "todo o sentimento" e novamente com os olhos lacrimosos que veio aquele P.U.T.A. Q.U.E. P.A.R.I.U., ele tá cantando CÁLICE, posso parecer tiete demais, babão demais falando com tanta ênfase de coisas tão pequenas, mas põ... não tem como a pessoa não se emocionar ao extremo no primeiro show do Chico! Em "Geni e o Zepelim" desejei que o show do Chico fosse meio Rock Progressivo, meio Roger Waters - The Wall, pra ter um boneco enorme da Geni pra gente jogar pedra, hehehe, até simpatizo com Geni, mas deu uma baita vontade de ter uma pedra pra jogar na hora do refrão!

Cada música durou, por alguns instantes, uma eternidade, mas quando o show acabou, a sensação de que havia começado ha um minuto apenas foi enorme, passou tão rápido, queria ter estado mais ali naquele momento sublime. E pior, como voltar ao mundo real, como pensar em dirigir, pensar em aulaaaa no outro dia depois de ter estado na presença de Franciso Buarque de Hollanda??? Era literalmente cair do céu pra terra sem direito a paraquedas! =/ Mas enfim, primeiro sonho realizado, agora "só" faltava uma oportunidade não sei como de estar com Chico.

A oportunidade chegou hoje, domingo, 27 de maio de 2012 por volta das 14h, depois de umas 4 horas e meia de plantão no aeroporto na companhia de Mãe Mirelle =P, Clarice, nossa amiga e Giovanna, prima de Clarice! Primeiro passaram os músicos, que iriam num vôo antes do Chico, falei com Bia Paes Leme, Wilson das Neves e principalmente com o Maestro Luis Cláudio Ramos, e com ele sim eu sempre quis trocar uma palavra, ter a oportunidade de conhecer pessoalmente, e foi muito gratificante, ele é gente boíssima e apesar da tremedeira e do coração já pela goela consegui expressar pra ele o quanto eu queria encontrá-lo. Ele ficou muito  feliz e agradeceu demais o carinho. =)

Depois já de tantas horas e agora depois dos músicos terem passado, tendo certeza que Chico vinha, coração já não existia, tremer já era normal, sensações e frios estranhos no estômagos viraram meus amigos de infância, até que Giovanna diz "lá vem ele" e quando olho pra escada rolante lá está Chico Buarque... PUUUUUUTA QUE PARIU! CHICO BUARQUE! (esse só pensei também) Todas  as sensações estranhas sumiram e eu não acreditava que ele estava ali, e o melhor, EU TAMBÉM! Foram-se as fotos e autógrafos e de repente ele já tinha sumido na sala de embarque, foram os poucos segundos mais sem explicação de toda a vida, sem desmerecer todos os outros grandes momentos, mas pô... depois de tantas incertezas ter conseguido estar ao lado do Chico não tem PQP que traduza. A prova é tanta que desde a tarde até as 21h, horário que estou aqui vos escrevendo, caros leitores, versões e mais versões desta postagem já me passaram pela cabeça e com certeza não falei aqui nem transmiti toda a emoção que senti, pois realmente não tem como, é como os 3 primeiros minutos logo após o encontro, quando ficamos parados ali no pé do portão de embarque, não tinha mais pra quê ficar lá, mas motivo algum tinhamos para sair, pra que voltar de novo ao mundo real!

Apesar de seus defeitos, foi voltando ao mundo real que lembrei que no dia do show tinha pensado que se encontrasse o Chico iria falar pra ele do blog inspirado na música "Cotidiano", mas não tinha cabeça pra lembrar disso na hora, só coração de fã pra sentir o inexplicável. Só no mundo real horas depois Mirelle me falou que eu podia ter feito um cartãozinho pra dar pra ele com o endereço do blog e tal, não sei como não pensei antes em algo tão simples. Enfim, passou. E sem mais delongas até porque já não tenho mais palavras nem expressões, nem palavrões nem santos nomes pra chamar em vão vou parando por aqui e compartilhando com vocês as fotos desses momentos que ficarão eternizados.

PS: Já poderia morrer feliz agorinha, mas semana que vem Humberto Gessinger me espera, não posso deixá-lo na mão. =D

Bia Paes Leme

André Ramos e Luis Cláudio Ramos - My Best Friend agora!

Wilson Das Neves

Precisa mesmo colocar legenda?!