segunda-feira, 4 de junho de 2012

Coisas que não cabem nos encartes dos CDs

A semente dessa postagem foi plantada em agosto de 2010, quando tive a honra de receber em Fortaleza Carlos Maltz (1º baterista e fundador dos Engenheiros do Hawaii) lançando seu livro, o Abilolado Mundo Novo. Na ocasião ele bateu um papo com os fãs, recebeu pra autógrafo / fotos, tocou suas canções com seu parceiro Marcos Melgar (gente muito boa) e por fim (de finaleira mesmo, pois não tinha nada acertado até poucas horas antes do show) ainda tocou bateria comigo e com o Ítalo Ribeiro. Sim senhoras e senhores, Maltz baterista por uma noite (ou devo dizer uma canção?) da Guardas da Fronteira!

Muita emoção pra uma tarde / noite somente? Sim, demais! Porém algo para além do momento que nunca imaginei em minha vida, o de tocar com o Maltz, algo ficou muito forte em minha memória: as gratidão e a satisfação dos fãs! Foi muito gratificante para mim que passei inúmeras noites mal dormidas pensando no evento, querendo que tudo desse certo, ver as pessoas comentando como o bate papo com o Maltz abriu "novos horizontes", como foi legal poder ver esse EngHaw de perto após tantos anos afastado da banda (para alguns fãs mais antigos) ou como foi emocionante poder conhecer a lenda viva, o M do GLM pela primeira vez (para os fãs mais novos). Apesar de pedras no caminho me senti muito bem ao ver que pude proporcionar uma noite inesquecível, não só pra mim que tive a maior das honras (a de tocar com ele), mas pra tanta gente. As emoções foram vividas tão intensamente que, por exemplo, não tirei uma foto sequer sozinho com ele. Fã que é fã, mesmo os que não assumem, lá no fundo quando dizem que querem uma foto, querem na verdade dizer que querem uma foto SOZINHO com seu ídolo, e dependendo da falta de noção do fã ainda quer o ídolo com cabelo/barba/roupa que ele quer / prefere. Enfim, das duas fotos que tirei com Maltz (fora as q foram feitas com ele no palco), uma foi com os meninos da Guardas e outra com minha amiga Isadora Machado que quis que a Guardas estivesse presente na sua foto =). 

Poder estar mais próximo do Maltz, conversando com ele, resolvendo abacaxis de produção de última hora diretamente com ele (e que abacaxis apareceram, rsrs), levando no aeroporto, ligando e recebendo ligação dele (esses dois últimos itens confesso que pus no texto por pura vaidade, rsrs), enfim, tudo isso me deixou tranquilo pra aproveitar os sentimentos que rolam nessas horas, as emoções e tal em detrimento de registrá-las, tanto que não me importei nem um pouco de ter apenas fotos coletivas com o Maltz. Dane-se! Eu toquei com ele, quero mais o que? 

Bem, nessa mesma linha de acontecimentos me vi dia 31 de maio e 01 de junho do ano de 2012, estive mais próximo (não tanto quanto com Maltz) de um ídolo meu: Humberto Gessinger. Posso traduzir esses dois dias comparando com os momentos que tive com Chico Buarque só que sem os PQPs e os Meu Deus do Céu! Explico, nunca estive tão próximo do Humberto sem que houvessem tremeliques, frios na barriga, voz sumida, falta do que falar, lerdeza súbita ou coisas do tipo. Explico, tive a chance de dar uma força na organização da noite de autógrafos do Humberto em Fortaleza, na Saraiva Megastore do Iguatemi (Maíra, brigadão pela confiança nessa missão!) e fiquei cerca de três horas em uma sala pequena bem perto dele sem nenhum dos sintomas de fãs que descrevi logo acima. Tinha ali a responsabilidade de ajudar colaborar como pudesse para que o evento seguisse "na santa paz de Deus" só que sem o "mais perfeito caos". Incorporei minha parte nas tarefas daquela tarde/noite e não sei como esqueci o lado fã. Guardei esse lado fã pra tentar fazer como meu pai sempre me falava, primeiro a obrigação, depois a devoção. E assim foi, durante toda a tarde estive ajudando na organização da fila, tirando dúvidas de quem vinha me perguntar, quando o Humberto chegou estive atendendo a ele através de seu produtor, fiz algo que nunca pensei que faria ou que fosse capaz de fazer na vida, fiz o papel do cara chato que pede pra pessoa sair ou pra pessoa não atrapalhar ou tentando fazer que se respeitasse a organização da noite rsrsrs. Quem diria... eu o cara chato!

Enfim, depois de algumas horas ali bem perto do Humberto, no momento em que eu podia falar com ele com mais calma recebi a missão de guiar o motorista da van para o melhor local pro HG sair... o coração de fã que ia começar a bater só deu tempo de entregar uma camisa do "Padim Ciço é Pop" e tirar uma foto junto com toda a galera gente boa da Saraiva que trabalhou bastante naquela noite. Valeu? Pra mim valeu demais! Demais mesmo, sem demagogia! Nada paga ver durante a tarde toda como muitas pessoas entre a galera da fila conheciam a Guardas da Fronteira ou até mesmo me conheciam (não é querendo ser estrela, mas vi nesse dia que muita gente que não conheço me conhece, rsrs, me senti um HG cover "mesmo" haha). Muitas dessas pessoas eu lembrei que falavam comigo pelo facebook da Guardas mas outras confesso que não lembrava de forma alguma. Além disso, assim como foi no dia do Maltz, foi muito gratificante ver pessoas saindo do encontro com o ídolo com todo tipo de reação: um garotinho que saiu sem saber pra onde ia, extático, galera de fé que conheci recentemente que vinha me agradecer, apertar a mão abraçar, gente muito emocionada que também veio chorando agradecer e dar um abraço (se bem que acho que a pessoa precisava no momento mais receber do que dar). Houve gente que até me falou que eu era um embaixador EngHaw no Ceará! Fiquei super lisongeado pelos elogios a forma como pude colaborar naquela noite e pela gratidão de todos, mesmo não tendo feito tanto quanto os agradecimentos que recebi, como diria HG (e mais uma vez, não querendo ser mais que sou) não mereço tanto, rsrs, muito obrigado! Agradeçam a galera da Saraiva também!

Não tive foto sozinho e não peguei autógrafo pra mim, mas tive a oportunidade de estar perto durante a montagem do palco. Conheci e até dei uma força pra galera da Stereophonica, fiquei sabendo de coisas legais que no devido tempo todos saberão, senti falta de meu brother Guilherme Dantas que esteve com o Pouca Vogal aqui em 2010 (pena não termos nos conhecidos melhor antes, mesmo interneticamente falando - uma coisa que imagino com curiosidade por não lhe conhecer pessoalmente é você falando com sotaque gaúcho, rsrsrs) encontrei novamente com Humberto na passagem de som, mas pelos motivos que já falei (ter sentido tudo que já senti na noite anterior) decidi não incomodá-lo por uma foto. Priorizei nesses dois dias as "coisas que não cabem nos encartes dos cd's", dei prioridade ao "sentir" ao invés do "registrar" (na contramão até da minha profissão de historiador). Vi que há muito mais além de certas coisas em determinada altura da vida. Não me passo por herói das causas perdidas, parte dessa minha tranquilidade se deu pelo fato de eu já ter encontrado com Humberto outras quatro vezes (merecidas, com muita dedicação e horas de espera). Essa é a hora que alguns leitores podem pensar: aaaahhhh boooom, ta explicado, esse cara tá é "reclamando" de barriga cheia! Pois digo que mesmo com tudo isso a "coisa"/pessoa que "ainda me emociona" de verdade não esteve presente por motivos que não cabe falar aqui. Digo-vos amigos que movem os contadores, não é a mesma coisa pra mim viver tantos momentos como os que vivi sem a minha "perfeita simetria"! Talvez a idade, talvez as 4 vezes que já estive com HG, talvez as prioridades que possam estar mudando me façam falar assim, mas, mais importante que tudo isso ainda é minha noiva, minha família, meu futuro que estou construindo a dois (assim como tantos de fé que estavam com seus filhos para quem essa história já tinha virado "a três")... Não é desconsiderando a importância que o Humberto tenha para minha vida, até porque conheci minha noiva em uma viagem para ver um  show dos Engenheiros e noivei com ela em Gramado, lugar que sempre quis conhecer por influência direta do Humberto, pelo contrário, conseguir ter desprendimento de registros materiais para dar maior importância ao sentimento abstrato que não se pega, não se guarda, não se transforma em arquivos, mas que faz teu corpo todo arrepiar quando ecuta uma canção. Sentimento que é resultado de um processo que já perdura desde sonhos de um jovem fã que surgia em 1999 caminhando cheio de e-stórias até então (junho de 2012). 

E é assim que encerro essa postagem, desejando que cada fã, antigo ou da era Pouca Vogal, possa alcançar esse, digamos, estágio no qual me considero estar. Que cada um com sua e-stória, com seus esforços, suas canções favoritas, seus amores, suas fotos possam alcançar também e poder sentir o que senti nos dois dias em que estive com o Humberto "longe, longe, longe, aqui do lado"!

Saudações Hawaiianas

PS: alguém que leu a postagem sobre o fim de semana com Chico Buarque me falou que eu deveria escrever com periodicidade, como o Gessingerr faz toda meia noite de segunda / zero hora de terça, quem sabe eu consiga fazer algo semelhante por aqui, se a idéia do blog é mostrar o que há de singular no cotidiano sempre tão igual, pode ser que eu consiga encontrar mais assuntos pra vocês que me acompanham por aqui. Prometo que tentarei, não prometo conseguir, afinal acho que palavras devem ser ditas quando há o que vale a pena ser dito! Abraço a todos!

4 comentários:

  1. Cara, cada momento do texto dava vontade de fazer um comentário. Mas como nas conversas, é bom deixar o momento para ouvir e aprender para então compartilhar e falar. Pois bem, façamos.

    Primeiramente, Vamos ao M antes do G (e um dia quem sabe o L aparece por aqui). Sobre o show/conversa com o Maltz, o bate papo com ele foi ótimo. Realmente foi algo pra sair pensando "Caramba, gostei de bater papo com esse cara!"
    O show dele também foi ótimo curtir, assim como a grata surpresa dele na bateria com o Guardas!

    E quanto a estes dias de Humberto e Pouca Vogal, acho muito legal essa sensação que tu falou, o "sentir" estar sobre "registrar" ou ter. É como se houvesse necessidade de haver uma prova da sensação, como se ela de alguma forma se igualasse a sensação. A questão em volta do Engenheiros, Pouca Vogal, HG trio,... não é uma a pessoa em si. As pessoas que conheçemos em torno da música, os pensamentos, as conversas, os devaneios,....
    Foi um fds ótimo, momentos muito legais (durante o show quando ele cantou "Deve haver algo que ainda te emocione.. Uma banda? um partido político (nãããão!)? Mas deve haver uma causa, que ainda te emocione (siiiiimm!!)" e quando na Dom Quixote encaixada em ultra velocidade hehehh)

    E que a embaixada EngHaw continue atuando forte aqui no Ceará!!

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  2. André, estou completamente sem palavras aqui imaginando cada cena vivida que você compartilhou conosco nesse texto. Fico, de verdade, muito orgulhosa por você ter conquistado tudo isso! Não tenha dúvidas, você merece! Eu sei que sim! Fico feliz de ter visto essas emoções acontecerem! Valeu, André! Beijos
    Ps: Sim, ouvi pessoas na fila falando muito bem e admiradas com o seu trabalho!

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  3. Porra bicho, que belo texto rapaz! Um dos momentos mais emocionantes da minha vida foi ver o Maltz lá no dragão do mar! Era incrível ver aquela foto dos encartes em carne e osso. Foi um grande favor(e risco) o que você fez. Cara, jóia, também quero elogiar suas conclusões sobre estar/vivenciar com seus ídolos...compartilho das mesma ideia. Grande abraço! Ps: precisar de um baixista tamos ae.

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  4. O HG já me trouxe e continua trazendo muitas emoções...hoje em dia confesso que elas estão bem mais comedidas,contudo ainda continuam intensas...O post tá lindo!Sei que vc escreve com a maior sinceridade com a qual vc pode traduzir sua alma de artista...TE AMO "PERFEITA SIMETRIA"

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