domingo, 10 de junho de 2012

Somos capazes de jogar outro jogo!

Olá, boa noite de domingo a todos os fiéis leitores deste singelo blog. Ainda continuo sob a influência do show do Pouca Vogal para escrever, só que não é exatamente do Humberto, Duca e cia. que vou falar. Pergunta pra quem foi ao show: alguem ai viu uma banda com nome cheio de vogais abrindo pro PV depois de tocar o DJ Lanterna Verde Afetado (piada interna pra quem estava na gradeo lance do lanterna verde)? Então, quando vi os caras entrando pra tocar achei até bacana a formação, além de guitarra, baixo e bateria tinha um cara nos sopros (neste caso sax e flauta), mas teve uma coisa, um pequeno detalhe que não consegui passar despercebido: o estereótipo de banda pop.

Pra vocal/guitarra tinhamos um loro/surfista + - malhado com camisetinha colada cantando/tocando "música pra inglês ver"... pô já vi esse filme antes! Na abertura do PV em 2010 foi a mesma coisa, tocou uma banda com nome terminava em "fone", não lembro se era radiofone, gramofone (algo assim, ou não), mas o estereótipo era o mesmo, o perfil do vocalista (que geralmente é a pessoa responsável por parte importante da identidade de uma banda) era o mesmo. Claro que em 2010 tivemos também a banda do Edinho Vilas Boas, que apesar de estar na missão ingrata de abrir show do Gessinger após um jejum de 2 anos sem vir a Fortaleza  (a mesma situação desse ano) conseguiu tocar covers e AUTORAIS interagindo com a galera (ainda lembro de uma música que agitou legal todo mundo e eu gostei pra caramba, chamava-se "a bala" se não me engano), por exemplo, quando alguém gritou "toca Raul" ele tocou! Edinho VB se garantiu! 

Os demais músicos da banda que abriu esse ano fugiam um pouco ao estereótipo, o cara dos sopros era tranquilo ali na dele, fazia uns backings bem bacanas, o cara da bateria quase cai na malha fina, aparentava ser muito novo, tudo pra ser um Restart da vida, mas fiquei sabendo que ele já foi professor de bateria do Tiago (baterista da Guardas) e o cara do baixo... pô o cara do baixo fez mais sucesso com um simples "alô galera" que o resto da banda toda durante o show todo, todo o carisma da banda estava ali na voz de Cid Moreira daquele baixista! Quem foi ao show pode confirmar logo abaixo nos comentários... fez ou não fez sucesso o Cid "o Baixista" Moreira?! 

Bom, você pode agora se perguntar, porque estou hoje "falando mal" dos caras. Sinceramente, nada contra. O vocalista loro/surfista com o baixista da voz grossa, o rapazinho novinho da bateria e o cara dos sopros estão fazendo a música que eles gostam de fazer, que eles curtem fazer assim como eu, Tiago e Ítalo fazemos quando tocamos com a Guardas, mas... OH WAIT! Sinceramente, algo não incomoda quando quando vocês veem certas bandas por ai? Por que será que tanta banda surge hoje fazendo ou não sucesso local ou nacional ou de jeito nenhum e todas se parecem demais umas com as outras? Porque o estereótipo de banda pop se repete tanto por ai (pergunta ingênua do cacete)? Quando falei uma vez com alguem na semana antes do show "não sei porque banda de abertura se ninguém quer ver" recebi desse alguem (que não lembro quem é) a resposta que era "pra mostrar artistas locais, dar uma valorizada". Porque não se valorizar investindo de verdade e investindo principalmente em quem não se encaixa no estereótipo do mercado mas tem música de qualidade? Entrar na discussão de indústria cultural não é minha intenção aqui, até porque tem pano demais pra manga além de minha simples opinião enquanto músico amador metido a blogueiro. Mas enfim, se se procurar acha-se música boa, existe música boa no cara cabeludo que você vê passar todo dia na universidade, ou no cara com a camisa de uma banda que ninguém conhece (a dele) no transpote coletivo, em festivais de universidades e de outros órgaos públicos, EXISTE MÚSICA FORA DAS NOVELAS DA GLOBO! "Há espaço pra todos, há um imeeeeeenso vázio"!

Quando ainda escrevia o post da semana passada, já germinava a semente desta postagem, só que de um domingo a outro muitas palavras que poderiam explicar melhor o que eu quero dizer aqui me escaparam. Por outro lado consegui dois exemplos pra tentar me fazer entender. 

Alguns de vocês devem conhecer melhor do que eu uma banda chamada Soul Pop, eu já ouvi muito falar e até usei um camarim num show da Guardas que estava todo personalizado pra eles e a pedido da casa até anunciei que no outro dia haveria show deles, mas conhecer mesmo não conheço. Enfim, vi num programa da TV Cidade o vocalista dessa banda  dando entrevista, participando de quadro culinário e divulgando uma nova fase de sua carreira com projetos paralelos onde agora ele ia cantar forrós e pagodes da vida, tanto que a música que ele tocou na ocasião do programa foi aquela que sempre me lembra a Suzanne Von Richthofen, a que diz "ai, ai, ai ai ai ai, assim você mata o papai". Fiquei pensando enquanto assisitia, sem querer desmerecer o trabalho (que nem conheço) da Soul Pop e do vocalista (que nem lembro o nome): pô... que trabalho super consolidado o cara tem pra já sair fazendo projeto paralelo? Será realmente que ele sente necessidade de sair cantando o mais do mesmo das músicas jabá-midiáticas? Será que é algo que ele sente realmente que tem que fazer, que vai fazer a sua música ter um sentido? Reafirmo aqui que não tenho nada contra nenhuma banda ou pessoa que citei aqui, a maioria nem conheço, estou só compartilhando com vocês um pensamento meu e uma linha de raciocínio. Temos que ver também que existe o outro lado da moeda, o do músico que se aventura a viver SÓ da música que quando tú vê que não dá pra levar adiante aquilo que te faz bem tú tem que pensar no teu lado financeiro, afinal afirmo com conhecimento de causa, é difícil esse negócio de música pra nós meros mortais. Mas enfim, assim como desconheço as motivações músicais, desconheço as motivações financeiras dessa pessoa pra me alongar no assunto. Espero que o exemplo sirva pra que pensemos sobre as questões que tento levantar aqui, afinal o milagre (o tema) é mais importante que o santo (os exemplos e bandas que estou citando aqui).

O segundo exemplo que me ocorreu pra citar no texto até eu conheço melhor, rs, trata-se da dupla Ítalo e Renno. Pô ainda me lembro de um dia que eu estava à toa no Dragão do Mar e parei na passarela pra ouvir uma música que tocava no palco sob ela. Dois caras tocando sanfona com alguns poucos músicos acompanhando, coisa bem básica, mas uma música bem gostosa de se ouvir. Assisti o show até o fim. Uma dúzia de meses depois e mais um pouco vi que eles estariam num show com Renato Borghetti num evento chamado "Encontro das Sanfonas". Pô, ótima chance, rever aquela dupla legal e conhecer de perto o som do Borghetinho que até então só conhecia das três faixas em que ele havia feito participação especial nos cds dos Engenheiros. Os shows foram muuuuito bons, o do Italo e Renno e o do Borghetinho. No final consegui entrar no camarim e falar com Borghetinho, minha noiva e minha cunhada foram falar também com Italo e Renno. Muita simpatia e simplicidade, um dos dois até achou que a primeira foto que havia tirado com as duas não ficou boa e pediu pra tirar outra! Depois de mais uma dúzia de meses e um processo de "verdesmarezação" pra minha surpresa (negativa) e de algumas outras pessoas que sei que conheciam o trabalho bacana e o som gostoso de Italo e Renno, os dois aparecem com uma tal de "tome love", nova música de trabalho com um clipe ao melhor estilo Michel Teló/vai rolar a festa/ hoje é festa lá no meu ap. Coincidência essa música ter pintando numa fase da carreira deles pós Tv Verdes Mares? Será que eles realmente de coração queriam embarcar numa onda "tome love" diferente da linha de trabalho deles até então? Será que eles tiveram que atender a demanda que a nova parceira "Dona Mídia" tinha pra eles? Será que eles ainda se preocupam se saíram bem nas fotos com os fãs?

Enfim, lancei muitos questionamentos e, igualmente como já falei reafirmo (até porque não quero ser mal interpretado), não é minha intenção falar mal de ninguém, estou compartilhando pensamentos meus, questionamentos meus e de minhas vivências (ou não) de coisas/pessoas/bandas que existem no mundo real, por isso não vejo por que não dar nome aos bois.

O objetivo por fim desta postagem é incomodar sim, mas incomodar quem já está incomodado, pra quem assim como eu concorda que há um imenso vazio entre o que o rádio e a televisão nos impõem (salvo algumas, graças a Deus, nem tão raras exceções). Convido essas pessoas, a quem interessar possa, mostrar que "somos capazes de jogar outro jogo", convido a me enviarem material do que vocês fazem do outro jogo que vocês jogam, da boa música e das boas idéias (não necessariamente musicais) que existem escondidas nos corações anônimos por ai para divulgarmos todos juntos aqui neste blog na postagem da próxima semana. Claro, este singelo blog, como o chamo, não é algo lá que vá fazer aqueeeeela diferença, que o mundo vai ver sua música, seu projeto por aqui, mas ainda assim, há umas pessoas que vez por outra olham, alguns amigos de fé que acompanham e que me mantém por aqui, que me fazem acreditar que continuar é o certo a fazer, que compartilhar (como a própria palavra já diz) junto é melhor do que divulgar sozinho! E se você já tem um projeto bem encaminhado, bah, que tem juntar-se a nós e apreciar idéias/canções/textos de outras pessoas enquanto outras pessoas apreciam tuas idéias? Algumas vezes já pensei em parar com a Guardas, parar de escrever aqui, parar de compor, parar de fazer tantas coisas, o próprio Gessinger já fez uma música que diz "cantar pra que? (...) pra quem não tem a senha, pra quem não tem acesso". É um sentimento que bate mesmo em algum momento pra quem tem uma idéia na cabeça um sentimento no coração mas não consegue compartilhar com outras pessoas. 

Por isso faço aqui o convite, o email é >>>> masterjedih@hotmail.com, quem for capaz de jogar outro jogo e quiser jogar junto com uns de fé que movimentam os contadores deste singelo blog, põe ai no assunto do email SOU CAPAZ DE JOGAR OUTRO JOGO e manda teu material, teu projeto!

"Somos capazes de jogar outro jogo" é o refrão de uma canção minha em parceria com meu brother Augusto Ridson chamada "Post Scriptum" (o famoso PS). Tal como sugere a canção, trarei esta música para o blog após ter escrito esta postagem inspirada nela, então próximo domingo teremos canção por aqui. Espero que minha "PS" não venha só, venha acompanhada de outros jogos propostos por quem vier a ler esse post e aceitar o desafio. Compartilhem então quem se interessar, face, twitter, finado orkut, mostre pra um amigo, enfim... como já diria Capitão Planeta... "O poder é de vocês"!

Falando em PS...

PS: Fã mesmo de roquenrou são os de fé que seguem a Guardas da Fronteira, que são fãs dum loro bonito até, que compõe músicas que dispensam qualquer comentário ou babaovismo e são capazes de entrar na vibração e fazer de uma noite a melhor no show da Guardas com um vocalista gordim do cabelo que só não enrola porque eu corto! Parabéns a vocês! Viva a amizade EngHawaiiana! #abaixoosestereótipos!!!

8 comentários:

  1. Acho que o podemos fazer, é justamente coisas desse tipo que está sendo feito (como essa idéia levantada pro próximo post). Talvez o problema seja crer que todos (ou a maioria) tem que gostar de fazer a mesma coisa. Se todos curtirem o que nós curtimos, seremos a maioria (idéia tão repudiada por tantas minorias) e quem hj é maioria vai ser a minoria usando os mesmos argumentos contra nós. Eu (isso sou eu falando de mim) sou contra o uso da arte de forma não sincera. Ou pelo menos sou contra eu fazer isso.
    Nossa, não sei bem o q comentar sobre isso. E to procurando evitar usar o backspace pra sair o mais próximo como ta saindo da minha cabeça.

    O que sei é que estamos na busca do nosso espaço. Esse espaço não precisa ser o todo, é só um pedaço. Apoio bastante esse "jogo" que tu levantou aqui. E to dentro. "I wanna play a game" (Saw fellings :P)

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  2. É cobra engolindo cobra, uma cadeia alimentar mesmo. Mais ou menos como o Rafael K falou mesmo. Já pensou como seria o eco-sistema se não existissem insetos?! Porém, esse "jogo" é muito válido:...invejo quem grita...o fim do silêncio..
    André, mas quanto você cita no texto a terminologia "bah", você não que é tipo um processo "verdesmarezação outra" ao qual você passou? Pergunto isso com todo respeito.
    Realmente é meio desconformante, vê italo e reno com negócio de tome love, o próprio michel teló, que tocava safona numa banda meio regional, se não me engano, e o engenheiros gravando acústico MTV...isso mesmo! Você não imagina como me doeu um dia em que eu estava bebendo com alguns amigos que gostam de forró, axé..músicas diversas enfim, e de repente no pen-drive dele tinha 3x4 do acústico mtv, pasmei, nunca imaginei que fosse possível...Enfim, é difícil saber quem esta certo... Acredito que as pessoas/artistas devam fazer oq quiserem e se aconselha-rem com que quem quiserem também, não é crime. Grande Abraço, amigo.
    Ps: vou tentar esboçar uma música minha pra entrar no jogo tb..

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  3. Davi, com certeza o "bah" que eu uso em algumas ocasiões faz parte de um processo vivido e é influência do sul, não do Humberto, pois ja gostava (ate sem saber) muito do sul e da musica gaucha antes de conhecer e virar fã do HG, mas não acho que seja algo como a verdesmarezação que eu citei acima, todos nós absorvemos coisas de pessoas, "discos, riscos e livros" que admiramos, acho que isso é um processo natural, você se achegar e agregar valores com coisas/pessoas que você se identifica, se você não trair aquilo que te motiva e te leva a escrever/cantar/atuar/etc. acho que está valendo. É como você mesmo falou no meu twitter, esse texto tem sintonia com o Abilolado, Maltz é uma influência pra mim, não quis escrever pra parecer com ele, só que essa influência ou sintonia pode fazer com que sigamos o mesmo rumo, acreditando na mesma coisa, jogando outros jogos...

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    1. Tá legal, eu to ligado, companheiro. Espero não ter interpretado mal minha indagação. O papo é abilolado mesmo. Abraço.

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    2. que nada, fique a vontade, papos abilolados se constroem assim!

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  4. Poxa André! Tiro o meu chapéu pra você, caro friend! Tu falaste aí, ômi, o que muita gente tinha engasgado e não conseguia, nada mais, que falar que justin e bandas coloridas deveriam jogadas n lixo! Não julgo esses sons, porque, confesso eu, nunca ter escutado, sequer, uma música deles, mas enfim! Nesse texto tu mostrou que tem nível crítico suficiente para debater sobre o assunto. Acho que todos aqui, concordam que há esse imeeeeenso vasio, mas se nem mesmo nós não nos valorizamos, quem vai atrás de valorizar? Por que muita música cearense nunca saiu dos estúdios ou gravações falhas de computadores e outros eletrônicos? CARALHO MERMÃO! Isso aí que tu ta fazendo é muito importante! Começar assim de pouquinho! Com nós, os de fé e, depois, imagina se a gente consegue repercutir ainda mais isso? André, isso que c tá fazendo é, repito, muito IMPORTANTE! Sério! apoiado total! VAMO NESSA!

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  5. Sou suspeita para falar de música. Em uns momentos tenho phd em música e educação musical e em outros sou uma completa ignorante. Às vezes dentro da minha cabeça fico xingando as pessoas que conseguem escutar forró indo de manhã cedo pra universidade e, às vezes me pego,dentro do ônibus, cantando tche tche rê rê tche tche tchre rê tche tche thce batendo o pé no chão, a mão na perna e balançando a cabeça ¬¬.... Pois é! O que eu,realmente, acho (posso mudar de opinião daqui a uma hora)é que se a pessoa escutar aquela música e se sentir bem escutando é uma puta falta de sacanagem as pessoas virem te criticar pq vc tá escutando isso ou aquilo. Se você tem 14 anos e escuta música erudita, uns vão te chamar de mongol da sala, outros vão dizer que tu tá reencarnando alguém do passado, outros dizem que tu tá querendo impressionar e há quem diga que tu é culto. Ou se tu escuta forró e sabe dançar "swingueira"(não sei se é assim que escreve) há pessoas que te chamam de descolado, outras que tu é um pirangueiro, outra que tu não tem cultura. Enfim, sempre vai ter gente pra falar mal de tudo! Graças a Deus! Para mim, qualquer forma de expressão é arte! Agora, como nós vemos hoje... há muita gente fugindo dos ideais e deixando cair no mundo para ganhar mais dinheiro e fazer mais sucesso e impressionar mais pessoas. Isso sim eu acho foda! Mas, por exemplo, eu não acho fora do comum uma pessoa que gosta de forró, gostar, também de Mozart, ou como o amigo disse aí em cima de engenheiros! Como também não acho fora do comum, tampouco, "errado/sem noção" a pessoa gostar de Mozart e se divertir em uma casa de forró. É meio complicado esse assunto e muito polêmico( Graças a Deus). Como eu disse anteriormente, o foda é o rendimento ao capitalismo de hoje.
    Espero que vocês possam compreender. Ignorem os erros e a desorganização. :p

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