domingo, 6 de outubro de 2013

O tempo de uma música

Em 2007 comecei a compor em ritmo de produção industrial com o amigo Augusto Ridson. A parceria começou com a letra de "Casa dos Espelhos" e desde esta música algumas frases, trechos de letras que o Ridson me mandava que eu mesmo não compreendia, ou buscava algum significado mais claro. Não que fosse algo nonsense, mas nem sempre tudo o que se escreve precisa de explicação mesmo. Nessas horas eu pensava com o guru Gessinger, não precisamos saber pra onde vamos, viver nem sempre faz sentido, etc... então que mal faz uma frase que à primeira vista não tem um sentido claro, mas que traga uma boa rima?!

Uma dessas canções chama-se "Revista em Quadrinhos", composta em janeiro de 2007, ou seja, uma das primeiras que compomos, pra ser mais exato, a segunda. Na época certas coisas que cantávamos faziam mais sentido pra nossas mentes juvenis e revolucionárias e não medíamos esforços para criticar coisas e defender pontos de vista. Na época certas coisas que constam na letra dessa canção eram reais, assim como são hoje, só que, diferente de hoje, não haviam tantas manifestações concretas. Não é querendo ser mais que sou, nem querendo me gabar, mas... Sabe quando falamos de uma música da banda preferida? "Ah, aquela canção é tão atual até hoje", "ah, fulano é profético, um messiânico"... 

Sexta feira retomei a tal revista em quadrinhos e não é que sua história realmente nunca muda! Fiz o vídeo da música para o Tocando em Frente e prestando atenção na letra percebi como minha música também se tornara atemporal, podendo ser considerada atual independente da época em que foi escrita. Abaixo seguem alguns trechos aos quais me ative mais nesta releitura:

1.
Histérico demais / Copa do mundo, o mundo em guerra
Difícil demais é defender nossas terras
Absurdos felizes / Infeliz coincidência
Intelectuais que coincidem em pseudo-inteligência

Na época em que fizemos a música não rolava esse clima frenético "tudo pela copa, tudo pra copa, a copa é tudo na vida" que existe hoje. Quem sabe copa do mundo estivesse na letra só pra articular a palavra mundo (de copa do mundo) com mundo (de o mundo em guerra). Hoje, quanta guerra já não tivemos, por conta da tal copa? Manifestações, balas de borracha, gás de pimenta, bombas, remoções de moradores, coação por parte do governador, corrupção, enfim...

Defender nossas terras talvez remetesse a algo até mais pro lado histórico, quem sabe até os próprios índios que não conseguiram defender seu território perante a ameaça portuguesa. Essa foi a primeira coisa que me veio a mente quando vi a letra pela primeira vez. Hoje, é tão difícil defender uma terra já tão acoada em meio a tanto concreto e asfalto, tipo o Cocó... coincidentemente, eu fazia o vídeo sexta-feira enquanto acontecia a desocupação dos manifestantes em defesa do parque contra os viadutos.

Cá entre nós, não entendo muito de engenharia de trânsito, mas basta passar pelos engarrafamentos dos viadutos do Cambeba, da 13 de maio, da Alberto Craveiro e outros viadutos que passam por cima da BR e ver que eles não estão com essa bola toda e não são nem de perto, por si só, a solução para o trânsito.

2.
Sexo demais nas capas de revista
Violência demais estampada nas notícias
TV manipulada que manipula nossas mentes
Mentalidade censurada e a juventude demente

Sexo demais hoje em dia não só nas capas de revista... pra onde se olhe na TV e nas "músicas"(?) populares encontramos uma overdose de bundas e outras coisas que não falo por ser este um blog de família.

Violência demais estampada nas notícias... CE TV hoje em dia tá pior que o Barra Pesada de quando eu tinha 10 anos de idade. Semana passada bateu o recorde: TODOS os dias (sem exagero) de quinta-feira (26/09) a segunda-feira (30/09) pelo menos duas pessoas que eu conheço ou que são mais próximas foram vítimas diretas da violência que toma conta de Fortaleza. Se não tivesse cuidado ia cair numa noia de me isolar do mundo...

TV manipulada nem falo, já sabemos (sabemos, né?)... ela não merece mais audiência do que já tem!

Mentalidade censurada é uma expressão que a compreendo mas não sei exatamente explicar. Quem sabe cada pessoa encontre as respostas que busca para ela. Lembro-me do amigo Valério que me perguntava sempre a que nos referíamos com esta expressão.

Juventude demente... infelizmente, até por ser professor, lido com cada jovem hoje em dia que, juntando 10, não dá 1... infelizmente...

3. Não deixe a vida passar em branco, ainda temos tantos planos!

Essa não precisa falar, fica a dica! Boa semana a todos!

domingo, 29 de setembro de 2013

Em um universo paralelo próximo a você...


... Francisco João Bruno Alexandre, típico cidadão da high society Fortalezense, daqueles de berço mesmo que trazem consigo o nome da família a gerações e gerações, estava a caminho da empresa em que era subgerente-diretor-presidente ou qualquer outra coisa ou função que estivesse abaixo de seu pai. No caminho parou seu humilde fusca (New Beetle, claro) em um cruzamento da cidade famoso pelas abordagens aos motoristas. Logo começou a pensar e destilar comentários ácidos em sua solidão ar-condicionada.

Sua indignação é por um lado compreensível, afinal de contas motoristas de qualquer classe social dirigem por toda a cidade e por toda a cidade dirigem com medo! A violência urbana está um caso sério. Aos poucos, dentre os minutos que demoram meia hora para passar sem o semáforo esverdear, sua revolta começa a dar lugar a um pensamento um pouco mais nobre e Francisco João Bruno Alexandre começa a refletir sobre as desigualdades sociais que (o permitem estar aonde está) tornam possível a necessidade das pessoas que se obrigam a trabalhar e se humilhar nos sinais de Fortaleza com o sol de rachar o inferno em três que temos em nossa cidade.

E continua o pensamento refletindo que trabalhar em um sinal por si só não é tão humilhante, o humilhante é ter que se virar em 30, "sangue, suor e óleo diesel", "a lágrima doída do ídolo caindo em câmera lenta". Geralmente são médicos e advogados que se submetem a estas condições abordando motoristas nos sinais ou fazendo amostras de suas habilidades. Por vezes equipes médicas inteiras com o desafio de montar a maca e os aparelhos de um centro cirúrgico, fazer um procedimento de alta complexidade no indivíduo que pela sorte no palitinho ficou encarregado do papel de paciente, desmontar tudo, mostrar o cara "costurado" e ainda sair entre as filas de carro pra ver quem arrecada alguma moedinha e tudo isso enquanto o sinal não abre. Admirável a habilidade que eles acabam adquirindo, mas onde fica a dignidade, não digo nem destes profissionais, mas digo destas pessoas... lamentável o que a pessoa é obrigada a fazer por conta da necessidade...

Pior é a situação dos advogados, pois estes são os que chegam bem perto de você, te forçando a fechar os vidros. Eles vem desesperados pra defender sua causa sem nem saber qual é, e diante de tantos dedos balançando negativamente pra eles antes ainda deles fazerem a abordagem eles acabam até fazendo com que você aceite alguns conselhos jurídicos na marra. Eles usam uma lógica do tipo "cartão de fidelidade", você leva o conselho agora e na próxima passada pelo local dá uma moedinha. Pelo menos acreditam na eficácia do trabalho deles, pois difícil é receber a moedinha na volta.

Opa, o sinal abriu! Nosso personagem vai ter que seguir viagem. Enquanto ele pisa na embreagem e engata a primeira ele pensa: coitados, que Deus dê a eles uma vida de artista!

domingo, 22 de setembro de 2013

Mundo globalizado

Tenho a curiosidade de sempre estar conferindo as estatísticas de acesso, origem e perfil do público do blog e da página do Tocando em Frente. Aqui no blog sempre me chamou a atenção o fato de acessos internacionais, desde o início do blog, passaram por aqui internautas dos seguintes países além do Brasil: Estados Unidos, Alemanha, Rússia, Ucrânia, França, Israel, Hungria, Chile e Portugal. E não é coisa de uma visitinha perdida na vida, da Alemanha, por exemplo, tenho 96 acessos e dos EUA, 466. Já demonstrei aqui em outras postagens o quanto tenho curiosidade pra saber quem são as pessoas que movem os contadores, em se tratando então destes visitantes estrangeiros que (aparentemente) sempre retornam, a curiosidade dobra. Coisas de um mundo globalizado...

Revendo as estatísticas essa semana, me ocorreu um pensamento. Domingo passado consegui depois de mais de dez anos ter de volta o CD Tchau Radar, dos Engenheiros, completando novamente minha coleção. Resumindo rapidamente como perdi o primeiro, numa época em que eu era um bom moço de comunidade católica, deixei todos os meus CDs pra uma prima, ela vendeu; depois que deixei de ser de comunidade (pois bom moço ainda sou, haha) consegui comprar todos, menos o tchau radar que saiu rapidinho de catálogo. Consegui comprar o novo CD por intermédio da mesma prima. O preço foi o preço de uma raridade, mas estava comprando com uma pessoa de confiança e vi que o CD estava em perfeito estado de conservação, tipo os meus se, por um momento de muita insanidade eu os vendesse, o comprador iria receber produtos que poderia considerar novos. Fiquei pensando então por que mãos (ou mão) cuidadosas (ou cuidadosa) meu novo Tchau Radar passou antes de chegar a mim, certamente passou por algum fã de fé que tinha dois e resolveu pegar uma grana no CD aproveitando seu estado de raridade.

Enfim, a ideia que me ocorreu foi a de tentar descobrir os caminhos que meus CDs Tchau Radar, o primeiro e o atual, percorreram, aproveitando a abrangência que só a internet deste nosso mundo globalizado proporciona. Sempre tive a curiosidade de saber aonde foi parar meu primeiro TR, comprado por R$ 15,00 em uma revista da Avon. Se esta postagem for compartilhada, acessada pelos confins da www, quem sabe não aparece o feliz possuidor de um TR que um dia foi meu. A menos que o tenha vendido, suponho que a pessoa seja de Fortaleza mesmo. Dica pra identificar o CD: Em algum cantinho do encarte eu escrevi meu nome de caneta (pra quem não sabe: André).

A sorte esta lançada com maior probabilidade de encontrar o destinatário final que uma carta lançada ao oceano dentro de uma garrafa. "Mapas e bússolas, sorte e acaso. Quem sabe do que depende?"

com cara de besta curtindo o novo Tchau Radar domingo passado

domingo, 15 de setembro de 2013

Contramão



Com 25 anos "nos côro" tenho reparado que estou meio na contra-mão do ritmo de vida que a vida (moderna) impõe. Cheguei a esta conclusão (?) observando alguns amigos. Não que eles estejam errados e não que eu esteja errado, mas tem coisas que realmente paramos pra comparar.

Exemplo... Desde 1999, quando reunia uns primos nas tardes de sábado e ficávamos "brincando de Engenheiros do Hawaii" em casa ao som do Alívio Imediato ou do 10.000 Destinos que pensei em deixar o cabelo crescer pra imitar o Humberto. Decepção à vista, meu cabelo era enrolado e não ficaria nem de perto parecido com o do HG. Hoje, enquanto alguns dos meus amigos cabeludos estão cortando os cabelos, estou caminhando para completar um ano sem cortar, assumindo os cachos que Deus me deu e já estranhando fotos com o cabelo curto.

Dizem que quando se casa engorda, no meu caso estou emagrecendo.

Mas o que mais me faz pensar é a vontade de fazer algo com minhas músicas. Banda autoral é coisa que cheira a adolescente e hoje quando a vida pede outros planos eu estou embarcando nessa. Já tive uma, a WAR, já falei dela por aqui. Hoje não tenho banda que "trabalhe" com músicas próprias apesar de já ter sido convidado pra algumas, recusei pois se tenho que me dedicar a algo de alguém, posso me dedicar a algo meu. Esse é outro ponto que me faz pensar se estou ou não na contramão. Encontrar pessoas que comprem a tua ideia, que estejam sintonizadas na mesma frequência que você e topem dar prosseguimento a uma iniciativa que a priori era individual é algo difícil, até porque as pessoas podem estar andando na mão certa da vida. Não que elas estejam erradas, não que eu esteja errado... Pelo menos nesse quesito, um amigo, fiel comentador deste blog, diga-se de passagem, aceitou depois de algumas indiretas e uma direta certeira, ser parceiro no Tocando em Frente. O formato? Não sabemos, mas descobriremos. Este jovem que se arrisca agora na contramão é o Rafael de Mesquita, ou Rafael K pra quem procurar por ele nos comentários das postagens daqui.

Bom, sei que se também não fizesse certas escolhas que, mesmo me deixando inseguro para segui-las, eu faço, ai sim eu estaria errado pois estaria em uma contramão que me indicaria que ali não seria eu.

Seguindo a lógica de que algo publicado ajuda a ter compromisso com coisas que se pretende, fica nesta postagem a vontade (e o compromisso?) de seguir um pouco na contramão da vida.

domingo, 8 de setembro de 2013

Tocando em Frente

Finalmente sai da vontade e da promessa e postei o primeiro vídeo para a página TOCANDO EM FRENTE. Para quem não souber do que se trata, esta é uma página que criei no Facebook para reunir amigos e simpatizantes da música que faço justamente para divulgá-las. Desde 2005 que componho, tive uma banda durante a faculdade, a WAR, já falei dela por aqui, e foi no curto período de existência desta banda o único momento que me dediquei a fazer algo com minhas músicas. Foi um dos momentos mais criativos em termos de composição também.

Com a Guardas da Fronteira parada, e depois de um ano e meio fazendo uma pós-graduação que me roubava o tempo que eu poderia estar dedicando a música, senti a necessidade de pegar aquelas dezenas de canções e dar a elas algum espaço e oportunidade maiores do que elas teriam em folhas de um caderno fechado, amarelando suas páginas. Tocando em Frente foi somente uma desculpa, um meio, um primeiro passo pra começar a divulgar. No que vai dar, não sei, mas sei que a música é parte importante de mim, fundamental, por isso seja pra um dia "dar em algo" ou para curtir com amigos, ai está, o Tocando em Frente.



PS: Na época em que a WAR ainda estava sendo gestada, eu  meu parceiro de composições, Augusto Ridson, nos reuníamos nas sextas-feiras pela manha na sala de convivência da reitoria da UFC para tocar, já que lá tinha um piano de cauda. A canção Olhar Negro nasceu em uma dessas sextas-feiras, mais precisamente no dia 08 de junho de 2007, neste piano mencionado, fruto de um generoso atraso do Ridson. Valeu a pena o atraso.

sábado, 24 de agosto de 2013

Novos Tempos

Quem diria que a cobra mordeu a própria cauda. Em março de 2007 eu assinava a quarta parceria Ridson/André, a canção "Novos Tempos". E hoje sinto falta viver certas coisas que escrevíamos e cantávamos na época, não que me arrependa das decisões que tomei nesses seis anos (poxa, lá se vão seis anos!), pois não me arrependo. É apenas o admirar-se natural de quem olha pra uma foto antiga ou para antigas canções. Canções da época que métrica ou até mesmo o sentido de certas palavras não faziam tanta importância, importante era a latência constante de ideias e a vontade de transformá-las em música e a vontade de que essa música transformasse o mundo.

Desde que voltei a escrever periodicamente por aqui que senti vontade de vasculhar os arquivos secretos da WAR e escrever algo sobre ela. A vontade se manteve e aumentou, tanto que o outro assunto que eu já tinha escolhido pra postagem deste domingo ficou pra depois. O quê? Ah, hoje não é domingo né? Pois é, comecei a revirar os tais arquivos e decidi não esperar para escrever e postar. Hã? Ah, ok, você também não sabe o que é a WAR, né? Explico.

No terceiro semestre da faculdade de História na Universidade Federal do Ceará, em meio as aulas de América I com o professor e hoje, mais que amigo e padrinho, Gerson Ledezma, algumas conversas dessas de papelzinho e um escrito de um amigo, Agusto Ridson, deram início a uma das épocas mais movimentadas em termos de composição para mim. Em um dia estava pronta a letra e a música de "Casa dos Espelhos" e já estávamos nos debruçando sobre a letra de "Revista em Quadrinhos" com a "Canção de um morto em apuros" sinalizando no horizonte. Era muita criatividade e empolgação. Prometíamos a nós mesmos ser a nova dupla Lennon/McCartney.

Ridson e eu
A partir daí a vontade de "tocar pra frente" essas canções só aumentou. Também em conversas de papelzinho na hora da aula, dessa vez aula de Teoria I, com a professora Meize, convidei para juntar-se a nós o amigo Waldemberg, que gostou muito de nossas canções e aceitou de primeira o convite. Estava então (quase) formada a banda WAR! Porque WAR? É algo meio KLB, admito, mas era a junção de nossas iniciais: Waldemberg, André e Ridson (Baixo, Guitarra/Teclado/Gaita/Voz e Guitarra/Voz, respectivamente). Além do trocadilho, nos apropriamos do sentido bélico do nome e declaramos guerra a uma infinidade de coisas que nossas ideias, nossa ideologia julgava que devesse ser combatida. Neste sentido bebemos muito do rock brasileiro dos 80 e 90, Paralamas, Engenheiros, Cazuza, ah... e sem esquecer do (toca) Raul.

WAR - Waldemberg, André e Ridson
Começamos a ensaiar na sala de convivência da reitoria da UFC, onde tinha um piano de cauda, começamos a dar forma a algumas canções e conseguimos os primeiros amigos fãs da banda. Ensaiamos ainda em uma sala do teatro da UFC, na minha casa, na casa do Ridson e na casa de uma tia dele. Agora já com guitarra e baixo, mas faltava a bateria. Foi o Waldemberg quem conseguiu o baterista, uma amigo próximo de sua casa, o Bruno. Reunimo-nos então pela primeira vez em estúdio e pela primeira vez parecemos uma banda de verdade. O sorriso automático de empolgação que resultava de olhar no olho do outro durante o  ensaio e ver que a coisa estava acontecendo era redundantemente empolgante. Apesar da entrada do Bruno, o nome da banda continuou a ser WAR, no máximo, adaptamos para B-WAR (Banda War).

Banda WAR completa no final do primeiro ensaio de estúdio
As músicas foram surgindo: Olhar Negro, Fim de Viagem, Longe das Verdades, Pos Scriptum, Meu Silêncio, Sombras... O que não surgia era oportunidade de tocar, aparecer. E pelo menos na minha visão da época, eu não via caminhos para alcançar esse objetivo e eu, especificamente, não sabia também como procurá-los. Apesar de todo caminho que percorri com banda até hoje, ainda não sei se sei ao certo. O fato é que o primeiro e único show da banda se deu em um aniversário do Ridson na casa de uma outra tia dele. Reunimos bons amigos e tocamos pra desopilar, pra mostrar a banda ainda sem baterista nesta ocasião, enfim, para dar o primeiro passo.

o show da WAR
A divulgação da banda se dava através de uma comunidade no Orkut, "Pra quem gosta de nós" era o nome. Nela colocávamos as letras e comentávamos sobre as atividades da banda, dentre elas a inscrição em um festival de música da UECE que não deu certo, não nos classificamos. Hoje posso ver que seria impossível se classificar com a qualidade da gravação super caseira que submetemos à inscrição. Se tivéssemos um pouco mais de conhecimento ou pelo menos de condições para realizar uma boa gravação teríamos entrado no páreo.

Meio que quem acabou com a WAR fui eu, faço aqui o mea culpa. O fato de ensaiar somente, sem ter perspectiva de aparecer, pelo menos naquele momento, me desanimou um pouco. Posso ter sido um tanto imediatista, mas foi o que senti na época e neste sentimento baseei minha atitude. Recebi o convite pra integrar a banda Guardas da Fronteira, cover de Engenheiros, que começava já com boas metas. Me empolguei e decidi me dedicar exclusivamente a ela, falei que os companheiros poderiam continuar a WAR se quisessem, inclusive usando minhas músicas, mas isso não aconteceu. Quer saber... no fundo eu sabia que não iria acontecer. São as decisões que a vida põe diante de nós. Ao escolher um caminho, restam dez mil destinos não percorridos. As duas bandas me trouxeram experiências e ótimas, através da comunidade "Pra quem gosta de nós" conheci virtualmente minha esposa, com a WAR dei um fôlego novo as minhas composições, comprei minha primeira guitarra, com a Guardas da Fronteira evolui musicalmente, conheci grandes pessoas, toquei com Carlos Maltz (até estive em uma banda cover de Paralamas, no meio do caminho, a Viernes 3Am), enfim...

Depois de algum tempo do fim da WAR e sem compor novamente com o Ridson, em outro aniversário dele, compomos a que ainda hoje está como nossa última canção, "02 do nove", que ganhou este nome em homenagem a data, aniversário dele e ao retorno (mesmo que único, até então) das composições em parceria.

Gostei demais de relembrar com carinho a trajetória da WAR, ela foi o primeiro passo musical que dei por conta própria e como compositor. Hoje, no entanto, algumas coisas parecem um pouco turvas. Os "novos tempos" nos fazem "olhar no espelho e não nos vermos mais", ou vermos tantas outras coisas que fazem parte da vida e que tornam os sonhos um tanto mais distantes nesta vida de músico. Por isso iniciei falando que a cobra mordeu a própria cauda. Cantávamos em 2007 "vamos ser o vento que nos leva sem pensar", "talvez seja preciso a imprecisão da vida". Hoje vejo que a coragem adolescente que soprava como o vento passou e os "novos tempos" trazem mais desafios que boas novas, como uma monografia que me rouba o tempo da música, por exemplo, ou ainda a vontade de encontrar as pessoas certas que estejam vibrando na mesma frequência que eu e que curtam minhas músicas tanto quanto algumas pessoas curtiram há sete anos para que possamos "tocar em frente".

Enfim... Novos Tempos


Letra de Novos Tempos

domingo, 18 de agosto de 2013

O coração do artista na ponta do lápis



Ir ou vir?
Entrar ou sair?
Ser lido ou não?
Cantar só ou em coro?

Essa semana estava revendo uns vídeos do Tangos e Tragédias no You Tube e entre um vídeo relacionado e outro me deparei com uma canção do Nico Nicolaiewsky chamada "Onde está o amor". Na capa do Cd, uma parede amarela com esta pergunta, um coração com um ponto de interrogação dentro e o Nico caminhando. No momento a pergunta me pareceu um tanto romântica demais e me remeteu a artistas que cantam o amor, que buscam o amor, sofrem por amor ou por serem românticos e que, principalmente, amam o que fazer e o fazem em nome deste amor. E talvez por fazer arte por amor, viva em busca do mesmo amor vindo de outras pessoas. Não precisa nem usar essa palavra tão forte, amor. Basta um gostar ou, em tempos de Facebook, um curtir aquilo que se canta, se pinta, fotografia ou escreve.

Pegando o exemplo de quem escreve, rabisca ou rascunha sua arte, tal pessoa muito provavelmente se utiliza de um lápis, até pela poética que esta esbelta peça de utilidade carrega consigo. Na minha opinião canetas não tem a mesma carga dramática. Enfim... Logo me veio à mente a frase "o coração do artista na ponta do lápis". Realmente é o que acontece com quem faz arte por amor. Põe seu coração e seus sonhos naquilo que faz e mesmo que não caia nas graças do público continua a fazê-lo pois se assim não fosse não seria o artista. Retorno então às perguntas do início do texto. Com o coração na ponta do lápis, se o artista estiver se doando, escrevendo, cantando em coro, ótimo! Só que a linha que separa o ir do vir é tênue e se o coração do artista não estiver transbordando através do lápis para o papel logo o lápis pode transpassá-lo. Toda essa história me fez lembrar uma inscrição na camiseta de um amigo dos tempos de faculdade. A tal frase gerava investigações filosóficas para que se decifrasse seu significado e dizia: Vende(dor) - A morte do artista. Acho que após alguns anos compreendo melhor as palavras que antes geravam mais brincadeiras em momentos descontraídos.

Domingo passado voltei a postar por aqui e da postagem tomei coragem para criar a página Tocando em Frente. A ideia da expressão é legal e positiva, sempre seguir em frente, mas ainda assim traz uma carga de melancolia e um algo que ficou pra trás. Hoje o seguir em frente me foi suscitado em parte pela pausa (forçada) que a Guardas da Fronteira está passando. A Guardas da Fronteira também foi um momento de seguir em frente, mas ficou pra trás a WAR (banda autoral dos tempos de faculdade) e dai por diante...

Em uma semana a página do Tocando em Frente teve 59 curtidas no Facebook e um alcance de 917 pessoas no geral segundo as estatísticas do site. Quem criar uma página no Facebook irá se deparar sempre com propostas de impulsionar sua publicação, desde que se pague por isso. Me pergunto o que passa na cabeça de alguém que precisa pagar pra ser reconhecido, necessidade, insegurança? Ou será que a pessoa já tentou de tudo e nada deu certo e resolveu apelar? Quem tem ou teve banda quase que certamente já teve de pagar pra tocar. Eu já. Mas ai até que vai, dependendo do caso, pois envolve estrutura pra um show, segurança, e muitas outras coisas chatas. O que justificaria então ter que pagar pra ser visto em um ambiente gratuito? Não querendo me gabar mas já tive épocas de picos de acesso em blogs (neste e no da Guardas) que poderiam me render algum trocado se eu aderisse à publicidade em minhas páginas. Nunca quis. Mataria a poesia da coisa, tiraria a arte da arte. Não quero ser radical e nem ingênuo, mas boto fé no que faço e ainda aposto que as pessoas podem gostar pelo que ouvem ou leem.

Então, a quem compartilhar do mesmo sentimento sobre o coração do artista e a ponta do lápis. Vamos curtir, compartilhar, gostar, amar coisas que pessoas fazem com carinho unicamente para tentar tornar mais belo ou dar mais significado e vida ao ar que respiramos e o mundo em que vivemos.

domingo, 11 de agosto de 2013

5 anos, quem diria?

uma das primeiras imagens que representou a GF

Quem diria que em meados de 1999 nada pra fazer em um sábado de manhã me levasse a visitar uma prima a um quarteirão de distância de minha casa? 

Quem diria que logo neste dia ela estava com um cd qualquer chamado "Tchau Radar" e um outro, uma coletânea chamada acervo da banda Engenheiros do Hawaii, emprestados de um amigo? 

Quem diria que ela me falaria daquela banda e me emprestaria por este dia aquela coletânea para ouvir?

E quem diria que "Somos quem podemos ser" cairia como luva e me tornaria irremediavelmente um seguidor de fé de Humberto Gues.. Humberto Tchessinge... Humberto GuessÍnguer...? É, eu não sabia na época nem dizer o nome dele direito, hoje tão fácil e sonoro: Humberto Gessinger!

Quem diria tantas outras coisas que aconteceram por conta desse cara e suas músicas?

Quem diria que após tentar vestibular para administração, ciências da computação, telemática e serviço social eu fosse cair nas graças da História?

Quem diria que no curso de história eu formaria uma banda, comporia umas canções e, mostrando essas canções a colegas, eu fosse conhecer o Walter Rebouças?

Quem diria que o Walter fosse atender a um chamado do Luis Felipe no Orkut para integrar uma banda cover de Engenheiros do Hawaii, a Guardas da Fronteira, junto com o Tiago Campos e que iria me convidar para tocar guitarra após a formação power trio estar completa?

E quem diria que eu ia aceitar?

Hoje, por volta de uma ou duas horas da tarde, se completarão 5 anos desde o primeiro ensaio e quem diria que faríamos aniversário no mesmo dia dos Engenheiros (dia 11)?

Quem diria que no primeiro aniversário da banda conseguiríamos vídeos de congratulações de Humberto Gessinger e Carlos Maltz e um email de Augusto Licks?

Quem diria que seguiríamos os passos dos Engenheiros até nas mudanças de formações? E quem diria que olhando essas mudanças pelo lado bom, pudemos conhecer e tocar com bons amigos?

Quem diria que o Ítalo Ribeiro vinha pra ficar, arrebentando no baixo após quase um ano parados?

O aniversário de dois anos passamos em silêncio. A maior comemoração foram as lembranças que mandaram pra nós no Orkut.

Quem diria que essa volta da Guardas da Fronteira iria empolgar tanto até metermos a cara pra tentar trazer Carlos Maltz pra Fortaleza comemorar conosco?

E quem diria?! Nós conseguimos! E quem diria mais?! O Tiago passou a baqueta pra ele e nós encerramos juntos o show de aniversário!

Boas lembranças... quem diria?


Quem diria que viria mais algum tempo "meio que parados"? Ítalo resolveu "explodir as grades e voar" e seguiu viagem pela nuestra américa.

Quem diria que a volta seria mais fodástica que poderíamos imaginar?

E quem diría que o aniversário de 4 anos foi o último show até então?

Hoje, 11 de agosto, completamos 5 anos de Guardas da Fronteira e um ano completo longe dos palcos. 

Muita coisa acontece na convivência de uma banda, você consegue amigos que acompanham momentos importantes da sua vida, sendo a recíproca verdadeira. 5 anos, ou se se quiser dar uma carga dramática maior, meia década, é tempo pra dedéu (agora com a palavra dedéu, foi-se embora a carga dramática rs) e muita coisa acontece, como de fato aconteceu. Nada sério, pelo menos entre nós integrantes da GF, mas, individualmente, sucessivas questões pessoais maiores que a vontade que tínhamos de tocar foram adiando o próximo show várias vezes. 

Questões de saúde, um de nós teve de ficar de castigo sem poder tocar. Casamento e mudança, esse caso se aplica a mim, mesmo sendo uma grande felicidade passar pela experiência de se casar, tudo exige muita dedicação pra acontecer como se pretende, muita mesmo. Escrita de monografia, uma pendenga que até agora estou carregando comigo, enfim...

Neste tempo todo, amigos chegava pra perguntar "cadê a banda?", "e ai cara, acabou?". Não, não acabou e nem vai acabar enquanto houverem tantas boas lembranças, bons amigos e a vontade de tocar. Ainda persistem alguns desses "impedimentos maiores que a vontade que temos de tocar", mas nunca foi posto um ponto final. Neste aniversário de 5 anos a comemoração mais uma vez não vai ser nos palcos, vai ser por aqui com quem ler e relembrar bons momentos deste 5 anos conosco. Quem sabe quando será o próximo show? Nenhum de nós, ainda. Mas quem sabe o quanto queremos tocar novamente? Nenhum de nós conseguirá responder com palavras que correspondam ao tamanho dessa vontade.

Enquanto isso ficamos com uma das maiores heranças desses 5 anos, que são as pessoas que os viveram e construíram conosco, que estão convidadas a continuar este texto nos comentários.

Parabéns pra nós!




GF no início falando do início



vídeo que hg mandou no nosso primeiro aniversario



áudio que maltz mandou no nosso primeiro aniversário



3 anos - tocando com carlos maltz

PS1: Quem diria que após manifestar a alguns amigos a vontade de voltar com tudo pra música (agora que estou mais perto que longe de acabar monografia) a música também iria voltar para mim? Até maio deste ano, a ultima coisa que tinha escrito de música foi uma tiração de sarro de um dia que faltou energia na minha casa. Em maio escrevi "Saudade", primeira parceria com minha esposa, Mirelle, e agora em agosto uma canção completa inspirada na música "Nuvem" do cd "Minuano" (EngHaw) chamada "Outra história de nós dois". A ideia era que fosse uma história anterior à da canção Nuvem. E este final de semana pintou uma outra canção que ainda não está completa mas está sendo amadurecida rapidamente. Duas músicas em 11 dias pra quem estava a tempos sem nada é como chuva na seca do nosso nordeste.

PS2: Vi um vídeo do parceiro Felipe Breier tocando a música "Tocando em Frente" (Almir Sater / Renato Teixeira), música que acho linda mas não sabia do nome dela. Pensei que Tocando em Frente fosse algum projeto do Felipe envolvendo música. Tendo descoberto que era apenas a música, me apropriei da expressão por fazer alusão a seguir em frente tanto como tocar mesmo, fazer música, ou seja, sempre tocando em frente, seja a música, seja a vida. Será este o nome de um "projeto"(?) que quero começar, mostrando minhas músicas, convidando amigos pra tocar comigo, convidando amigos pra parcerias (coisas que adoro).

PS3: Quem diria? Estou aprendendo a tocar sanfona!

PS4: Quem diria? O dia 11 caiu num domingo, dia que eu postava textos quando os fazia com regularidade. Vou pensar com carinho se esse acaso pode querer me trazer de volta por aqui na próxima semana e na próxima, e na próxima...

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Que venha em paz...



O título original desta postagem era "pega fogo cabaré", mas ainda bem que, como já mencionei outra vez por aqui, entre a ideia original e o digitar a postagem, existe um certo tempo que sempre modifica a coisa toda. Nesta ocasião, até editar o layout do blog (gostaram?) e escrever a postagem deu tempo de ouvir repetidas e inúmeras vezes a canção "Em Paz", hino de ano novo de todo engenheiro hawaiiano que se preze, dai então deu tempo de acalmar o coração e criar um título que, mesmo perigando o clichê, seja mais um convite a confraternização entre os amigos que passarem por aqui (afinal hoje é dia da confraternização universal).

E o motivo do primeiro título ser tão sensacionalista?! Este singelo blog tem uma ligação direta com ano novo, foi criado em um, depois de um tempo sem postar foi um tema natalino que me fez retomar a escrita. Agora, depois de postar semanalmente, oscilar e parar de vez (a última postagem data do dia 23 de setembro)  retomo mais uma vez a escrita por conta de umas reflexões que fazia durante minha "festa" de réveillon. O festa entre aspas tem dois motivos, um: não gosto de feeeeestas, sempre passo em um local mais calmo com a família mesmo (não existe coisa melhor); dois: essa noite em específico foi meio que um programa de índio. Desde cedo, mais ou menos 7 da noite do dia 31, tenho postado no facebook a animação dos vizinhos: som alto com ruídos daqueeele preço (não ouso chamar de música). Ao lado da minha casa um som de carro nas alturas, dobrando a esquina outro, seguindo um pouco adiante e dobrando outra esquina, outro, voltando pra minha rua na casa em frente a casa de meu tio (que não é nada longe da minha casa) outro som. Você não consegue ouvir nada, não consegue conversar, não consegue fazer nada em paz com tando barulho. Se fosse só porque é ano novo eu juro que até tentaria entender, como já fiz tantos outros anos novos que o som alto começava DEPOIS da meia noite e eu era obrigado a dormir com a pulsação dos paredões fazendo toda a casa vibrar. Mas não! É coisa que acontece tooodo final de semana! Agora, sendo ano novo, eles acham que podem colocar o som um pouco mais alto que o absurdo "normal" de sempre.

Chegando perto da meia noite, desci com minha família ao calçadão pra poder ver da praia daqui os fogos do aterro e os paredões "truando". Depois de passar horas pensando na falta de respeito e na falta de humanidade que temos que engolir a seco pois ninguém é mesmo por nós, minoria, me perguntei onde estão aquelas músicas de "adeus ano velho, feliz ano novo", "esse ano quero paz no meu coração", até "esse cara sou eu" se tocasse teria mais clima de ano novo que "levanta o dedo quem é raparigueiro", "é cachaceira, é cachaceira, é cachaceira bebe muito e faz besteira", "eeeeu quero sexo" e por ai vai (acreditem, citei aqui só as músicas mais decentes que ouvi). Essas músicas tocando a noite toda na presença de crianças me faz encarnar o mago Malabim (da saudosa TV Colosso) e prever o futuro de certas crianças grávidas aos 12, avôs e avós aos 24, outros protagonizando diariamente as manchetes do Barra Pesada. Alguém lendo por aí pode me taxar de pessimista, pode pensar "que horror", mas infelizmente é a pura verdade. Hoje quando voltava pra casa a tarde vi meninos correndo na rua pra pegar uma pipa que caiu dentro de uma igreja mórmon. Nenhum teve o mínimo de pudor de pular o muro pra pegar. Debates sobre propriedade privada a parte, jovens e inocentes crianças desde cedo aprendendo a desrespeitar limites e invadir propriedades. Durante a noite, aqui na rua, passava "era de ruma" jogando bombas dentro de algumas casas, perto de concentração de pessoas, e saiam "na moral" tirando aquela onda com quem se assustava. Fale com um desses pra ver se ele não te encara e ainda te faz acreditar que o ruim da história é você! Ensinei "crianças" assim durante um ano e meio mais ou menos e, infelizmente a mentira e a falta de respeito, falta de humanidade, de sensibilidade que eu via nelas é a mesma que se pode ver nos programas policiais. Também, o que podemos exigir dessas crianças, com a referência que os pais dão? Você chega numa escola da prefeitura de Fortaleza, dessas localizadas bem no "vish", e chama a mãe de um aluno pra falar que ele está batendo nos colegas, chamando de nome, brincando de "meu pipi no seu popo", etc. e a mãe pergunta e daí, e você não pode falar nada pois ela é a dona da "boca" mais movimentada do bairro. Daí fica difícil. Fica mais difícil porque ninguém que precise ler um texto desse tipo pra ajudar a tomar um semancol vai ler. Voltando ao ano novo, me pergunto em meio a tanta música de paredão, o que se passa na cabeça das pessoas enquanto se paralisam e vislumbram a queima de fogos no céu, e o que vêm ao pensamento logo que todas aquelas luzes cessam. Não dá mais tempo de sentir um clima de ano novo, não há mais clima pra sentir algo diferente, algo que só aconteça naquele dia.

Enfim, mesmo tendo exposto aqui tantos problemas, já ouvi mais algumas centenas de vezes algumas rodadas de músicas boas, já rolou aqui no fone de ouvido (santo fone de ouvido, me desligando desse cabaré que tá lá fora, embora ache que cabarés devem ser ambientes mais agradáveis) Chico Buarque, Carlos Maltz, mais engenheiros, e depois de tanta música boa já dá pra entrar num clima de coisas boas. Desejo então a todos um feliz 2013, que possamos enxergar e refletir sobre os problemas como fiz (no caso eu ouvi os problemas a noite toda) mas que possamos mais ainda encontrar as saídas, vibrar em outras frequências, cantar no silêncio e chorar no carnaval. Deixo abaixo uma imagem que fiz mais cedo e divulguei no facebook, também desejando um feliz ano novo refletindo a partir do CD Longe Demais das Capitais.

clique para ampliar


Abraço a todos
Feliz 2013
André Ramos

PS1: Primeiras horas do ano, primeiro dia, primeira postagem! Espero voltar a escrever mais por aqui, sempre que tiver assunto, é legal escrever toda semana, mas quando não tem assunto que mereça a atenção de vocês por aqui, melhor deixar quieto.

PS2: Assumo publicamente o que Mirelle, minha noiva, sempre me fala sobre minha "devoção" ao Humberto (Gessinger), ela diz que é demais (quase) incondicional. Não tem como, mesmo nas horas que não curto uma coisa ou outra em relação a ele, depois passa e gestos dele mais simples do que se imagina me fazem ficar besta, como agora, mostrando a vocês que logo no comecinho do ano ele curtiu a imagem de feliz 2013 que fiz no face, rsrsrs.

clique para ampliar