terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Que venha em paz...



O título original desta postagem era "pega fogo cabaré", mas ainda bem que, como já mencionei outra vez por aqui, entre a ideia original e o digitar a postagem, existe um certo tempo que sempre modifica a coisa toda. Nesta ocasião, até editar o layout do blog (gostaram?) e escrever a postagem deu tempo de ouvir repetidas e inúmeras vezes a canção "Em Paz", hino de ano novo de todo engenheiro hawaiiano que se preze, dai então deu tempo de acalmar o coração e criar um título que, mesmo perigando o clichê, seja mais um convite a confraternização entre os amigos que passarem por aqui (afinal hoje é dia da confraternização universal).

E o motivo do primeiro título ser tão sensacionalista?! Este singelo blog tem uma ligação direta com ano novo, foi criado em um, depois de um tempo sem postar foi um tema natalino que me fez retomar a escrita. Agora, depois de postar semanalmente, oscilar e parar de vez (a última postagem data do dia 23 de setembro)  retomo mais uma vez a escrita por conta de umas reflexões que fazia durante minha "festa" de réveillon. O festa entre aspas tem dois motivos, um: não gosto de feeeeestas, sempre passo em um local mais calmo com a família mesmo (não existe coisa melhor); dois: essa noite em específico foi meio que um programa de índio. Desde cedo, mais ou menos 7 da noite do dia 31, tenho postado no facebook a animação dos vizinhos: som alto com ruídos daqueeele preço (não ouso chamar de música). Ao lado da minha casa um som de carro nas alturas, dobrando a esquina outro, seguindo um pouco adiante e dobrando outra esquina, outro, voltando pra minha rua na casa em frente a casa de meu tio (que não é nada longe da minha casa) outro som. Você não consegue ouvir nada, não consegue conversar, não consegue fazer nada em paz com tando barulho. Se fosse só porque é ano novo eu juro que até tentaria entender, como já fiz tantos outros anos novos que o som alto começava DEPOIS da meia noite e eu era obrigado a dormir com a pulsação dos paredões fazendo toda a casa vibrar. Mas não! É coisa que acontece tooodo final de semana! Agora, sendo ano novo, eles acham que podem colocar o som um pouco mais alto que o absurdo "normal" de sempre.

Chegando perto da meia noite, desci com minha família ao calçadão pra poder ver da praia daqui os fogos do aterro e os paredões "truando". Depois de passar horas pensando na falta de respeito e na falta de humanidade que temos que engolir a seco pois ninguém é mesmo por nós, minoria, me perguntei onde estão aquelas músicas de "adeus ano velho, feliz ano novo", "esse ano quero paz no meu coração", até "esse cara sou eu" se tocasse teria mais clima de ano novo que "levanta o dedo quem é raparigueiro", "é cachaceira, é cachaceira, é cachaceira bebe muito e faz besteira", "eeeeu quero sexo" e por ai vai (acreditem, citei aqui só as músicas mais decentes que ouvi). Essas músicas tocando a noite toda na presença de crianças me faz encarnar o mago Malabim (da saudosa TV Colosso) e prever o futuro de certas crianças grávidas aos 12, avôs e avós aos 24, outros protagonizando diariamente as manchetes do Barra Pesada. Alguém lendo por aí pode me taxar de pessimista, pode pensar "que horror", mas infelizmente é a pura verdade. Hoje quando voltava pra casa a tarde vi meninos correndo na rua pra pegar uma pipa que caiu dentro de uma igreja mórmon. Nenhum teve o mínimo de pudor de pular o muro pra pegar. Debates sobre propriedade privada a parte, jovens e inocentes crianças desde cedo aprendendo a desrespeitar limites e invadir propriedades. Durante a noite, aqui na rua, passava "era de ruma" jogando bombas dentro de algumas casas, perto de concentração de pessoas, e saiam "na moral" tirando aquela onda com quem se assustava. Fale com um desses pra ver se ele não te encara e ainda te faz acreditar que o ruim da história é você! Ensinei "crianças" assim durante um ano e meio mais ou menos e, infelizmente a mentira e a falta de respeito, falta de humanidade, de sensibilidade que eu via nelas é a mesma que se pode ver nos programas policiais. Também, o que podemos exigir dessas crianças, com a referência que os pais dão? Você chega numa escola da prefeitura de Fortaleza, dessas localizadas bem no "vish", e chama a mãe de um aluno pra falar que ele está batendo nos colegas, chamando de nome, brincando de "meu pipi no seu popo", etc. e a mãe pergunta e daí, e você não pode falar nada pois ela é a dona da "boca" mais movimentada do bairro. Daí fica difícil. Fica mais difícil porque ninguém que precise ler um texto desse tipo pra ajudar a tomar um semancol vai ler. Voltando ao ano novo, me pergunto em meio a tanta música de paredão, o que se passa na cabeça das pessoas enquanto se paralisam e vislumbram a queima de fogos no céu, e o que vêm ao pensamento logo que todas aquelas luzes cessam. Não dá mais tempo de sentir um clima de ano novo, não há mais clima pra sentir algo diferente, algo que só aconteça naquele dia.

Enfim, mesmo tendo exposto aqui tantos problemas, já ouvi mais algumas centenas de vezes algumas rodadas de músicas boas, já rolou aqui no fone de ouvido (santo fone de ouvido, me desligando desse cabaré que tá lá fora, embora ache que cabarés devem ser ambientes mais agradáveis) Chico Buarque, Carlos Maltz, mais engenheiros, e depois de tanta música boa já dá pra entrar num clima de coisas boas. Desejo então a todos um feliz 2013, que possamos enxergar e refletir sobre os problemas como fiz (no caso eu ouvi os problemas a noite toda) mas que possamos mais ainda encontrar as saídas, vibrar em outras frequências, cantar no silêncio e chorar no carnaval. Deixo abaixo uma imagem que fiz mais cedo e divulguei no facebook, também desejando um feliz ano novo refletindo a partir do CD Longe Demais das Capitais.

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Abraço a todos
Feliz 2013
André Ramos

PS1: Primeiras horas do ano, primeiro dia, primeira postagem! Espero voltar a escrever mais por aqui, sempre que tiver assunto, é legal escrever toda semana, mas quando não tem assunto que mereça a atenção de vocês por aqui, melhor deixar quieto.

PS2: Assumo publicamente o que Mirelle, minha noiva, sempre me fala sobre minha "devoção" ao Humberto (Gessinger), ela diz que é demais (quase) incondicional. Não tem como, mesmo nas horas que não curto uma coisa ou outra em relação a ele, depois passa e gestos dele mais simples do que se imagina me fazem ficar besta, como agora, mostrando a vocês que logo no comecinho do ano ele curtiu a imagem de feliz 2013 que fiz no face, rsrsrs.

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5 comentários:

  1. Muito bom começar o ano assumindo publicamente que eu tenho "razão" nas coisas,hehe

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  2. Que tenso esses ruídos chamados por outros de músicas. =S Realmente ninguém merece. bjinhoos tioo.

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  3. Ainda bem q ao final tu quis mudar o titulo, se quem quiser consertar algo parar de refletir sobre os proprios atos e o q pode fazer, fica ainda mais dificil

    Feliz ano novo, caba vei

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  4. Há, para começar, quuuueeeeiima foogo! hehehehehe. Que onda! Mas é a felicidade de muitos, não? Muitos não tem com o que se divertir e usufruem de outros meios, assim como o "queeeiiima" uahauhua. só uma "piada sem graça(ou sei lá o que)".
    André, achava o outro visual super aconchegante. Com um gostinho de café quentinho na boca e quentinho de uma lareira. Agora é bacana! posso até ouvir o som das águas batendo nos meus pés e a brisa gostosa esvoaçando os cabelos enquanto leio o seu texto. Gostei! :)
    Bah, é o hino mesmo, hehehe! Graaande Agagê! :) E Graaande André também! Seus textos mostram grande parte da realidade boa e triste. Ainda que triste, seja boa de perceber que ainda há seres humanizados nessa terra!
    FELIZ ANO NOVOOOO!!!
    Valeeu, andré! hghghghghghg

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