sábado, 24 de agosto de 2013

Novos Tempos

Quem diria que a cobra mordeu a própria cauda. Em março de 2007 eu assinava a quarta parceria Ridson/André, a canção "Novos Tempos". E hoje sinto falta viver certas coisas que escrevíamos e cantávamos na época, não que me arrependa das decisões que tomei nesses seis anos (poxa, lá se vão seis anos!), pois não me arrependo. É apenas o admirar-se natural de quem olha pra uma foto antiga ou para antigas canções. Canções da época que métrica ou até mesmo o sentido de certas palavras não faziam tanta importância, importante era a latência constante de ideias e a vontade de transformá-las em música e a vontade de que essa música transformasse o mundo.

Desde que voltei a escrever periodicamente por aqui que senti vontade de vasculhar os arquivos secretos da WAR e escrever algo sobre ela. A vontade se manteve e aumentou, tanto que o outro assunto que eu já tinha escolhido pra postagem deste domingo ficou pra depois. O quê? Ah, hoje não é domingo né? Pois é, comecei a revirar os tais arquivos e decidi não esperar para escrever e postar. Hã? Ah, ok, você também não sabe o que é a WAR, né? Explico.

No terceiro semestre da faculdade de História na Universidade Federal do Ceará, em meio as aulas de América I com o professor e hoje, mais que amigo e padrinho, Gerson Ledezma, algumas conversas dessas de papelzinho e um escrito de um amigo, Agusto Ridson, deram início a uma das épocas mais movimentadas em termos de composição para mim. Em um dia estava pronta a letra e a música de "Casa dos Espelhos" e já estávamos nos debruçando sobre a letra de "Revista em Quadrinhos" com a "Canção de um morto em apuros" sinalizando no horizonte. Era muita criatividade e empolgação. Prometíamos a nós mesmos ser a nova dupla Lennon/McCartney.

Ridson e eu
A partir daí a vontade de "tocar pra frente" essas canções só aumentou. Também em conversas de papelzinho na hora da aula, dessa vez aula de Teoria I, com a professora Meize, convidei para juntar-se a nós o amigo Waldemberg, que gostou muito de nossas canções e aceitou de primeira o convite. Estava então (quase) formada a banda WAR! Porque WAR? É algo meio KLB, admito, mas era a junção de nossas iniciais: Waldemberg, André e Ridson (Baixo, Guitarra/Teclado/Gaita/Voz e Guitarra/Voz, respectivamente). Além do trocadilho, nos apropriamos do sentido bélico do nome e declaramos guerra a uma infinidade de coisas que nossas ideias, nossa ideologia julgava que devesse ser combatida. Neste sentido bebemos muito do rock brasileiro dos 80 e 90, Paralamas, Engenheiros, Cazuza, ah... e sem esquecer do (toca) Raul.

WAR - Waldemberg, André e Ridson
Começamos a ensaiar na sala de convivência da reitoria da UFC, onde tinha um piano de cauda, começamos a dar forma a algumas canções e conseguimos os primeiros amigos fãs da banda. Ensaiamos ainda em uma sala do teatro da UFC, na minha casa, na casa do Ridson e na casa de uma tia dele. Agora já com guitarra e baixo, mas faltava a bateria. Foi o Waldemberg quem conseguiu o baterista, uma amigo próximo de sua casa, o Bruno. Reunimo-nos então pela primeira vez em estúdio e pela primeira vez parecemos uma banda de verdade. O sorriso automático de empolgação que resultava de olhar no olho do outro durante o  ensaio e ver que a coisa estava acontecendo era redundantemente empolgante. Apesar da entrada do Bruno, o nome da banda continuou a ser WAR, no máximo, adaptamos para B-WAR (Banda War).

Banda WAR completa no final do primeiro ensaio de estúdio
As músicas foram surgindo: Olhar Negro, Fim de Viagem, Longe das Verdades, Pos Scriptum, Meu Silêncio, Sombras... O que não surgia era oportunidade de tocar, aparecer. E pelo menos na minha visão da época, eu não via caminhos para alcançar esse objetivo e eu, especificamente, não sabia também como procurá-los. Apesar de todo caminho que percorri com banda até hoje, ainda não sei se sei ao certo. O fato é que o primeiro e único show da banda se deu em um aniversário do Ridson na casa de uma outra tia dele. Reunimos bons amigos e tocamos pra desopilar, pra mostrar a banda ainda sem baterista nesta ocasião, enfim, para dar o primeiro passo.

o show da WAR
A divulgação da banda se dava através de uma comunidade no Orkut, "Pra quem gosta de nós" era o nome. Nela colocávamos as letras e comentávamos sobre as atividades da banda, dentre elas a inscrição em um festival de música da UECE que não deu certo, não nos classificamos. Hoje posso ver que seria impossível se classificar com a qualidade da gravação super caseira que submetemos à inscrição. Se tivéssemos um pouco mais de conhecimento ou pelo menos de condições para realizar uma boa gravação teríamos entrado no páreo.

Meio que quem acabou com a WAR fui eu, faço aqui o mea culpa. O fato de ensaiar somente, sem ter perspectiva de aparecer, pelo menos naquele momento, me desanimou um pouco. Posso ter sido um tanto imediatista, mas foi o que senti na época e neste sentimento baseei minha atitude. Recebi o convite pra integrar a banda Guardas da Fronteira, cover de Engenheiros, que começava já com boas metas. Me empolguei e decidi me dedicar exclusivamente a ela, falei que os companheiros poderiam continuar a WAR se quisessem, inclusive usando minhas músicas, mas isso não aconteceu. Quer saber... no fundo eu sabia que não iria acontecer. São as decisões que a vida põe diante de nós. Ao escolher um caminho, restam dez mil destinos não percorridos. As duas bandas me trouxeram experiências e ótimas, através da comunidade "Pra quem gosta de nós" conheci virtualmente minha esposa, com a WAR dei um fôlego novo as minhas composições, comprei minha primeira guitarra, com a Guardas da Fronteira evolui musicalmente, conheci grandes pessoas, toquei com Carlos Maltz (até estive em uma banda cover de Paralamas, no meio do caminho, a Viernes 3Am), enfim...

Depois de algum tempo do fim da WAR e sem compor novamente com o Ridson, em outro aniversário dele, compomos a que ainda hoje está como nossa última canção, "02 do nove", que ganhou este nome em homenagem a data, aniversário dele e ao retorno (mesmo que único, até então) das composições em parceria.

Gostei demais de relembrar com carinho a trajetória da WAR, ela foi o primeiro passo musical que dei por conta própria e como compositor. Hoje, no entanto, algumas coisas parecem um pouco turvas. Os "novos tempos" nos fazem "olhar no espelho e não nos vermos mais", ou vermos tantas outras coisas que fazem parte da vida e que tornam os sonhos um tanto mais distantes nesta vida de músico. Por isso iniciei falando que a cobra mordeu a própria cauda. Cantávamos em 2007 "vamos ser o vento que nos leva sem pensar", "talvez seja preciso a imprecisão da vida". Hoje vejo que a coragem adolescente que soprava como o vento passou e os "novos tempos" trazem mais desafios que boas novas, como uma monografia que me rouba o tempo da música, por exemplo, ou ainda a vontade de encontrar as pessoas certas que estejam vibrando na mesma frequência que eu e que curtam minhas músicas tanto quanto algumas pessoas curtiram há sete anos para que possamos "tocar em frente".

Enfim... Novos Tempos


Letra de Novos Tempos

domingo, 18 de agosto de 2013

O coração do artista na ponta do lápis



Ir ou vir?
Entrar ou sair?
Ser lido ou não?
Cantar só ou em coro?

Essa semana estava revendo uns vídeos do Tangos e Tragédias no You Tube e entre um vídeo relacionado e outro me deparei com uma canção do Nico Nicolaiewsky chamada "Onde está o amor". Na capa do Cd, uma parede amarela com esta pergunta, um coração com um ponto de interrogação dentro e o Nico caminhando. No momento a pergunta me pareceu um tanto romântica demais e me remeteu a artistas que cantam o amor, que buscam o amor, sofrem por amor ou por serem românticos e que, principalmente, amam o que fazer e o fazem em nome deste amor. E talvez por fazer arte por amor, viva em busca do mesmo amor vindo de outras pessoas. Não precisa nem usar essa palavra tão forte, amor. Basta um gostar ou, em tempos de Facebook, um curtir aquilo que se canta, se pinta, fotografia ou escreve.

Pegando o exemplo de quem escreve, rabisca ou rascunha sua arte, tal pessoa muito provavelmente se utiliza de um lápis, até pela poética que esta esbelta peça de utilidade carrega consigo. Na minha opinião canetas não tem a mesma carga dramática. Enfim... Logo me veio à mente a frase "o coração do artista na ponta do lápis". Realmente é o que acontece com quem faz arte por amor. Põe seu coração e seus sonhos naquilo que faz e mesmo que não caia nas graças do público continua a fazê-lo pois se assim não fosse não seria o artista. Retorno então às perguntas do início do texto. Com o coração na ponta do lápis, se o artista estiver se doando, escrevendo, cantando em coro, ótimo! Só que a linha que separa o ir do vir é tênue e se o coração do artista não estiver transbordando através do lápis para o papel logo o lápis pode transpassá-lo. Toda essa história me fez lembrar uma inscrição na camiseta de um amigo dos tempos de faculdade. A tal frase gerava investigações filosóficas para que se decifrasse seu significado e dizia: Vende(dor) - A morte do artista. Acho que após alguns anos compreendo melhor as palavras que antes geravam mais brincadeiras em momentos descontraídos.

Domingo passado voltei a postar por aqui e da postagem tomei coragem para criar a página Tocando em Frente. A ideia da expressão é legal e positiva, sempre seguir em frente, mas ainda assim traz uma carga de melancolia e um algo que ficou pra trás. Hoje o seguir em frente me foi suscitado em parte pela pausa (forçada) que a Guardas da Fronteira está passando. A Guardas da Fronteira também foi um momento de seguir em frente, mas ficou pra trás a WAR (banda autoral dos tempos de faculdade) e dai por diante...

Em uma semana a página do Tocando em Frente teve 59 curtidas no Facebook e um alcance de 917 pessoas no geral segundo as estatísticas do site. Quem criar uma página no Facebook irá se deparar sempre com propostas de impulsionar sua publicação, desde que se pague por isso. Me pergunto o que passa na cabeça de alguém que precisa pagar pra ser reconhecido, necessidade, insegurança? Ou será que a pessoa já tentou de tudo e nada deu certo e resolveu apelar? Quem tem ou teve banda quase que certamente já teve de pagar pra tocar. Eu já. Mas ai até que vai, dependendo do caso, pois envolve estrutura pra um show, segurança, e muitas outras coisas chatas. O que justificaria então ter que pagar pra ser visto em um ambiente gratuito? Não querendo me gabar mas já tive épocas de picos de acesso em blogs (neste e no da Guardas) que poderiam me render algum trocado se eu aderisse à publicidade em minhas páginas. Nunca quis. Mataria a poesia da coisa, tiraria a arte da arte. Não quero ser radical e nem ingênuo, mas boto fé no que faço e ainda aposto que as pessoas podem gostar pelo que ouvem ou leem.

Então, a quem compartilhar do mesmo sentimento sobre o coração do artista e a ponta do lápis. Vamos curtir, compartilhar, gostar, amar coisas que pessoas fazem com carinho unicamente para tentar tornar mais belo ou dar mais significado e vida ao ar que respiramos e o mundo em que vivemos.

domingo, 11 de agosto de 2013

5 anos, quem diria?

uma das primeiras imagens que representou a GF

Quem diria que em meados de 1999 nada pra fazer em um sábado de manhã me levasse a visitar uma prima a um quarteirão de distância de minha casa? 

Quem diria que logo neste dia ela estava com um cd qualquer chamado "Tchau Radar" e um outro, uma coletânea chamada acervo da banda Engenheiros do Hawaii, emprestados de um amigo? 

Quem diria que ela me falaria daquela banda e me emprestaria por este dia aquela coletânea para ouvir?

E quem diria que "Somos quem podemos ser" cairia como luva e me tornaria irremediavelmente um seguidor de fé de Humberto Gues.. Humberto Tchessinge... Humberto GuessÍnguer...? É, eu não sabia na época nem dizer o nome dele direito, hoje tão fácil e sonoro: Humberto Gessinger!

Quem diria tantas outras coisas que aconteceram por conta desse cara e suas músicas?

Quem diria que após tentar vestibular para administração, ciências da computação, telemática e serviço social eu fosse cair nas graças da História?

Quem diria que no curso de história eu formaria uma banda, comporia umas canções e, mostrando essas canções a colegas, eu fosse conhecer o Walter Rebouças?

Quem diria que o Walter fosse atender a um chamado do Luis Felipe no Orkut para integrar uma banda cover de Engenheiros do Hawaii, a Guardas da Fronteira, junto com o Tiago Campos e que iria me convidar para tocar guitarra após a formação power trio estar completa?

E quem diria que eu ia aceitar?

Hoje, por volta de uma ou duas horas da tarde, se completarão 5 anos desde o primeiro ensaio e quem diria que faríamos aniversário no mesmo dia dos Engenheiros (dia 11)?

Quem diria que no primeiro aniversário da banda conseguiríamos vídeos de congratulações de Humberto Gessinger e Carlos Maltz e um email de Augusto Licks?

Quem diria que seguiríamos os passos dos Engenheiros até nas mudanças de formações? E quem diria que olhando essas mudanças pelo lado bom, pudemos conhecer e tocar com bons amigos?

Quem diria que o Ítalo Ribeiro vinha pra ficar, arrebentando no baixo após quase um ano parados?

O aniversário de dois anos passamos em silêncio. A maior comemoração foram as lembranças que mandaram pra nós no Orkut.

Quem diria que essa volta da Guardas da Fronteira iria empolgar tanto até metermos a cara pra tentar trazer Carlos Maltz pra Fortaleza comemorar conosco?

E quem diria?! Nós conseguimos! E quem diria mais?! O Tiago passou a baqueta pra ele e nós encerramos juntos o show de aniversário!

Boas lembranças... quem diria?


Quem diria que viria mais algum tempo "meio que parados"? Ítalo resolveu "explodir as grades e voar" e seguiu viagem pela nuestra américa.

Quem diria que a volta seria mais fodástica que poderíamos imaginar?

E quem diría que o aniversário de 4 anos foi o último show até então?

Hoje, 11 de agosto, completamos 5 anos de Guardas da Fronteira e um ano completo longe dos palcos. 

Muita coisa acontece na convivência de uma banda, você consegue amigos que acompanham momentos importantes da sua vida, sendo a recíproca verdadeira. 5 anos, ou se se quiser dar uma carga dramática maior, meia década, é tempo pra dedéu (agora com a palavra dedéu, foi-se embora a carga dramática rs) e muita coisa acontece, como de fato aconteceu. Nada sério, pelo menos entre nós integrantes da GF, mas, individualmente, sucessivas questões pessoais maiores que a vontade que tínhamos de tocar foram adiando o próximo show várias vezes. 

Questões de saúde, um de nós teve de ficar de castigo sem poder tocar. Casamento e mudança, esse caso se aplica a mim, mesmo sendo uma grande felicidade passar pela experiência de se casar, tudo exige muita dedicação pra acontecer como se pretende, muita mesmo. Escrita de monografia, uma pendenga que até agora estou carregando comigo, enfim...

Neste tempo todo, amigos chegava pra perguntar "cadê a banda?", "e ai cara, acabou?". Não, não acabou e nem vai acabar enquanto houverem tantas boas lembranças, bons amigos e a vontade de tocar. Ainda persistem alguns desses "impedimentos maiores que a vontade que temos de tocar", mas nunca foi posto um ponto final. Neste aniversário de 5 anos a comemoração mais uma vez não vai ser nos palcos, vai ser por aqui com quem ler e relembrar bons momentos deste 5 anos conosco. Quem sabe quando será o próximo show? Nenhum de nós, ainda. Mas quem sabe o quanto queremos tocar novamente? Nenhum de nós conseguirá responder com palavras que correspondam ao tamanho dessa vontade.

Enquanto isso ficamos com uma das maiores heranças desses 5 anos, que são as pessoas que os viveram e construíram conosco, que estão convidadas a continuar este texto nos comentários.

Parabéns pra nós!




GF no início falando do início



vídeo que hg mandou no nosso primeiro aniversario



áudio que maltz mandou no nosso primeiro aniversário



3 anos - tocando com carlos maltz

PS1: Quem diria que após manifestar a alguns amigos a vontade de voltar com tudo pra música (agora que estou mais perto que longe de acabar monografia) a música também iria voltar para mim? Até maio deste ano, a ultima coisa que tinha escrito de música foi uma tiração de sarro de um dia que faltou energia na minha casa. Em maio escrevi "Saudade", primeira parceria com minha esposa, Mirelle, e agora em agosto uma canção completa inspirada na música "Nuvem" do cd "Minuano" (EngHaw) chamada "Outra história de nós dois". A ideia era que fosse uma história anterior à da canção Nuvem. E este final de semana pintou uma outra canção que ainda não está completa mas está sendo amadurecida rapidamente. Duas músicas em 11 dias pra quem estava a tempos sem nada é como chuva na seca do nosso nordeste.

PS2: Vi um vídeo do parceiro Felipe Breier tocando a música "Tocando em Frente" (Almir Sater / Renato Teixeira), música que acho linda mas não sabia do nome dela. Pensei que Tocando em Frente fosse algum projeto do Felipe envolvendo música. Tendo descoberto que era apenas a música, me apropriei da expressão por fazer alusão a seguir em frente tanto como tocar mesmo, fazer música, ou seja, sempre tocando em frente, seja a música, seja a vida. Será este o nome de um "projeto"(?) que quero começar, mostrando minhas músicas, convidando amigos pra tocar comigo, convidando amigos pra parcerias (coisas que adoro).

PS3: Quem diria? Estou aprendendo a tocar sanfona!

PS4: Quem diria? O dia 11 caiu num domingo, dia que eu postava textos quando os fazia com regularidade. Vou pensar com carinho se esse acaso pode querer me trazer de volta por aqui na próxima semana e na próxima, e na próxima...