domingo, 18 de agosto de 2013

O coração do artista na ponta do lápis



Ir ou vir?
Entrar ou sair?
Ser lido ou não?
Cantar só ou em coro?

Essa semana estava revendo uns vídeos do Tangos e Tragédias no You Tube e entre um vídeo relacionado e outro me deparei com uma canção do Nico Nicolaiewsky chamada "Onde está o amor". Na capa do Cd, uma parede amarela com esta pergunta, um coração com um ponto de interrogação dentro e o Nico caminhando. No momento a pergunta me pareceu um tanto romântica demais e me remeteu a artistas que cantam o amor, que buscam o amor, sofrem por amor ou por serem românticos e que, principalmente, amam o que fazer e o fazem em nome deste amor. E talvez por fazer arte por amor, viva em busca do mesmo amor vindo de outras pessoas. Não precisa nem usar essa palavra tão forte, amor. Basta um gostar ou, em tempos de Facebook, um curtir aquilo que se canta, se pinta, fotografia ou escreve.

Pegando o exemplo de quem escreve, rabisca ou rascunha sua arte, tal pessoa muito provavelmente se utiliza de um lápis, até pela poética que esta esbelta peça de utilidade carrega consigo. Na minha opinião canetas não tem a mesma carga dramática. Enfim... Logo me veio à mente a frase "o coração do artista na ponta do lápis". Realmente é o que acontece com quem faz arte por amor. Põe seu coração e seus sonhos naquilo que faz e mesmo que não caia nas graças do público continua a fazê-lo pois se assim não fosse não seria o artista. Retorno então às perguntas do início do texto. Com o coração na ponta do lápis, se o artista estiver se doando, escrevendo, cantando em coro, ótimo! Só que a linha que separa o ir do vir é tênue e se o coração do artista não estiver transbordando através do lápis para o papel logo o lápis pode transpassá-lo. Toda essa história me fez lembrar uma inscrição na camiseta de um amigo dos tempos de faculdade. A tal frase gerava investigações filosóficas para que se decifrasse seu significado e dizia: Vende(dor) - A morte do artista. Acho que após alguns anos compreendo melhor as palavras que antes geravam mais brincadeiras em momentos descontraídos.

Domingo passado voltei a postar por aqui e da postagem tomei coragem para criar a página Tocando em Frente. A ideia da expressão é legal e positiva, sempre seguir em frente, mas ainda assim traz uma carga de melancolia e um algo que ficou pra trás. Hoje o seguir em frente me foi suscitado em parte pela pausa (forçada) que a Guardas da Fronteira está passando. A Guardas da Fronteira também foi um momento de seguir em frente, mas ficou pra trás a WAR (banda autoral dos tempos de faculdade) e dai por diante...

Em uma semana a página do Tocando em Frente teve 59 curtidas no Facebook e um alcance de 917 pessoas no geral segundo as estatísticas do site. Quem criar uma página no Facebook irá se deparar sempre com propostas de impulsionar sua publicação, desde que se pague por isso. Me pergunto o que passa na cabeça de alguém que precisa pagar pra ser reconhecido, necessidade, insegurança? Ou será que a pessoa já tentou de tudo e nada deu certo e resolveu apelar? Quem tem ou teve banda quase que certamente já teve de pagar pra tocar. Eu já. Mas ai até que vai, dependendo do caso, pois envolve estrutura pra um show, segurança, e muitas outras coisas chatas. O que justificaria então ter que pagar pra ser visto em um ambiente gratuito? Não querendo me gabar mas já tive épocas de picos de acesso em blogs (neste e no da Guardas) que poderiam me render algum trocado se eu aderisse à publicidade em minhas páginas. Nunca quis. Mataria a poesia da coisa, tiraria a arte da arte. Não quero ser radical e nem ingênuo, mas boto fé no que faço e ainda aposto que as pessoas podem gostar pelo que ouvem ou leem.

Então, a quem compartilhar do mesmo sentimento sobre o coração do artista e a ponta do lápis. Vamos curtir, compartilhar, gostar, amar coisas que pessoas fazem com carinho unicamente para tentar tornar mais belo ou dar mais significado e vida ao ar que respiramos e o mundo em que vivemos.

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